13 de maio de 2010

Conto de fadas às avessas...


Bruno Vilela promove releitura do universo do conto de fadas com imagens perturbadoras de Branca de Neve e Chapeuzinho Vermelho






Em Fortaleza (CE), estão em exposição as fotografias do artista visual pernambucano Bruno Vilela  que promovem uma releitura do universo do conto de fadas. Nestas fotos, personagens de contos de fadas aparecem em situações mórbidas, estranhas e mesmo perturbadoras, como a Branca de Neve esvaída em sangue e desmaiada numa floresta, ou Alice caída na entrada de uma casa, de onde só se vê parte de seu corpo. O que há por trás dessas imagens? Por que elas nos inquietam tanto?


É o que aborda e questiona a exposição “Bibbdi bobbdi boo”, série de fotografias de autoria de Bruno Vilela que estão em exposição individual no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Térreo – Centro – fone: (85) 3464.3108), com curadoria de Ana Cecília Soares e Júnior Pimenta.


 Gratuita ao público, a exposição ficará em cartaz até 04 de junho (horários de visitação: terça-feira a sábado, de 10h às 20h; e aos domingos, de 10h às 18h).

Abaixo, trecho de texto dos curadores Ana Cecília Soares e Júnior Pimenta.

..Foi uma vez


Oriunda do latim “fatum”, a palavra fada significa destino, fatalidade ou fado. Essa raíz etimológica remete ao contexto inicial em que os contos de fadas estavam inseridos: na forma original, os textos falavam de adultérios, incestos e mortes violentas. Eram concebidos como entretenimento para adultos, contados em reuniões sociais, e não em ambientes infantis. Somente no século XVII, com o francês Charles Perrault, que os contos começaram a se humanizar. No século XIX, com o trabalho idealizado pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, as histórias foram direcionadas ao público infantil.


Numa desconstrução do imaginário simbólico criado por esses contos, Bruno Vilela incorpora aspectos de nossa realidade às narrativas. Fundindo fantasia com o real, o artista rompe com estereótipos do tipo: “um mundo perfeito, onde todos são felizes para sempre”. A desmistificação do amor perfeito, do ideal de beleza e do maniqueísmo humano (bem x mal), também, está presente em sua proposta.

O artista constrói imagens que mantém aproximação direta com a pintura. Suas fotografias são como verdadeiras telas vivas e pulsantes, dotadas de um cromatismo nervoso, pronto a explodir. O colorido inebriante de Vilela rompe e distorce qualquer tipo de idealismo, sugere uma reconfiguração da condição primordial das “fadinhas”. Tornando-as mais parecidas conosco: frágeis e de carne e osso. Tão maleáveis ao mundo como nós!"



Trechos do texto de Márcia Tiburi: Bruno Vilela ou era uma vez Branca de Neve e outras sonsas

Bruno, o caçador, com sua câmera, realizou o sonho da madrasta. Alguém um dia finalmente cumpriria a sentença: matar Branca de Neve. Salvou as meninas do seu destino de bobas.

A heroína bela e branca, submissa e sonsa, pertence definitivamente ao “era uma vez”. A imagem técnica que nasceu com a fotografia nos tempos em que Branca de Neve pertencia à imaginação a serviço da moral, vem, hoje, nos salvar do mito, acabando de vez com o imaginário de redenção para a bonitinha que se salva porque escravizada e se escraviza por ser a bonitinha. As outras: Chapeuzinho, Alice, e quem mais estiver por perto, vão junto.(...)

Trajetória artística 
Bruno Vilela nasceu em Recife/PE, em 26 de julho de 1977. Artista plástico formado em Retrato com Anatomia e Figura Humana com o mestre japonês Sunishi Yamada. Bruno foca sua pesquisa em três principais suportes: fotografia, desenho e pintura. O universo feminino, dos contos de fada, do mistério, da vida e da morte são sua busca. Uma espécie de quebra de arquétipos e a sua substituição por outros mais sombrios e misteriosos.
Para Vilela, arte é xamanísmo, um portal para outra dimensão, como diria o mestre Beuys e Da Vinci. É cor, forma, composição, espiritualidade, matéria e o tesão pelo visual como fez o mestre Rauchemberg.
Todas as fotos dessa série passam por um processo de produção como de um filme. Maquiagem, figurino, locação, entre outros itens. Tudo para um único clique.Mais informações sobre o conteúdo da exposição e o trabalho do artista podem ser encontradas em seu site: http://www.brunovilela.com/
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