5 de maio de 2010

Infinitas possibilidades de uma árvore que cai...

O designer Hugo França cria arte a partir de resíduos de árvores, com sensibilidade e respeito pelo meio-ambiente.








"Tudo começa e termina na árvore. Ela é a sua inspiração inicial e suas formas, buracos, rachaduras, marcas de queimada e da ação do tempo são incorporadas à solução final".


Mesa Ima
                                                   Madeira Pequi 76 x 186 x 200 cm
Raízes desenterradas, troncos ocos, toras maciças e galhos se transformam em objetos únicos, mobiliário, esculturas, projetos especiais.
As formas naturais e as texturas são incorporadas ao desenho das peças. O Atelier Hugo França desenvolve, também, um projeto de aproveitamento de árvores caídas na cidade para criação de mobiliário urbano. A idéia é transformar o material que seria descartado pelo serviço da prefeitura em móveis de uso público. Estas peças são colocadas próximas ao local onde a árvore que a originou caiu ou morreu.

As peças criadas pelo designer são a conseqüência da sua preocupação com as possibilidades oferecidas pela matéria-prima: árvores centenárias mortas pela ação irresponsável do homem.



 O processo de produção das peças de Hugo França confunde-se com o conceito do seu trabalho: a preocupação com o desperdício da madeira

e a crença em que há possibilidades infinitas de reaproveitamento deste material descartado por não possuir interesse comercial.



A utilização de resíduos florestais para a produção de peças demanda buscas constantes nas matas da região de Trancoso (BA). Nesses percursos feitos a pé, de jegue, de canoa, Hugo França conta com a ajuda dos indígenas e mateiros locais além do conhecimento da região que ele próprio adquiriu nos 15 anos em que morou no litoral sul baiano. Desde que não tenham sofrido danos irreversíveis, todas as partes da árvore encontradas podem ser utilizadas.


Sobre Hugo França
 Hugo França nasceu em Porto Alegre em 1954. Ele começou seu ofício no sul da Bahia, onde viveu muitos anos. Ali, observou as canoas dos índios pataxós e aprendeu com eles a usar o pequi (Caryocar brasiliense), madeira pouquíssimo utilizada em outros lugares. “Originário da Mata Atlântica, o pequi tem uma oleosidade natural tão intensa que ela se auto-impermeabiliza (daí seu uso em canoas) e que impede que ela seja destruída nas queimadas. Podem-se encontrar árvores queimadas há mais de 40 anos, já mortas, mas que ainda estão em pé. Só uma crostinha superficial fica queimada”, disse o designer.


Abaixo, trecho de texto da crítica de design Adélia Borges


“As peças de Hugo França exercem uma espécie de magnetismo nas pessoas. Elas induzem o olhar, o toque, a proximidade do corpo. Continente seguro e sólido, nos convidam a nos aninharmos nelas. Acho que essa atração ocorre porque elas trazem em si a força da natureza, e assim comunicam-se com algo de primordial, de ancestral dentro de nós." (...)  Pois é gentil o trabalho do designer frente às toras e raízes de árvores caídas ou pedaços de canoas que encontra: ele “apenas” esculpe a madeira, encontra em cada pedaço a forma que aquele pedaço quer ter (ou sugere)."
 
Atelier Hugo França 
Rua Gomes de Carvalho, 585

Vila Olímpia -São Paulo, Brasil, 04547-002
Fones:55 11 3045-6575 /55 11 3045-6575
Mon - Fri: 10:00 am - 6:00 pm
http://www.atelierhugofranca.com.br/
Textos e fotos a partir do site do artista


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