23 de maio de 2010

Um surprendente Espaço Café!

Jorge Elmor participa da Casa Cor Paraná com um espaço simbólico e funcional que fala sobre a consciência ambiental

 "Criamos uma atmosfera inédita que surpreende os visitantes e os transporta para outra realidade. Um lugar estimulante e ao mesmo tempo um convite ao ócio criativo Jorge Elmor

                                                      Fotos ambiente: João Paulo Saraiva

O arquiteto colocou muitas obras de arte para  emocionar o espectador:  "Neste espaço, o passante poderá além de tomar um cafézinho, ir de encontro com a ambiguidade humana, em obras de arte integradas à decoração".

A conscientização ambiental é a linha seguida pelos arquitetos para a composição dos 62 ambientes da Casa Cor Paraná que sugere “Morar Verde: sustentável maneira de viver”. Pela terceira vez na Casa Cor, o arquiteto curitibano Jorge Elmor abre esta temporada com o Espaço Café.
A criação deste ambiente chama atenção ao fazer uma reflexão sobre a relação do ser humano com o planeta em que vive e suas crenças. Ao mostrar a dualidade entre o inferno e o céu, o arquiteto propõe ao visitante uma reflexão sobre como os aspectos da vida moderna fazem com que o homem viva sem harmonia com a natureza, bem como a pressão exercida pelas inovações tecnológicas que tornam o cotidiano mais rápido. “Nesta edição, o tema pede produtos e conceitos sustentáveis. Acredito que, atualmente, estes sejam requisitos fundamentais para a criação de projetos. A grande idéia neste espaço, que reúne arquitetura e decoração, é a aplicação de sustentabilidade e o incentivo do uso dos mesmos aos visitantes e consumidores”, diz.
Proposta

No Brasil, o hábito de tomar café já está incorporado na cultura nacional desde a época de colonização. Desde então, principalmente nos últimos anos, é possível perceber uma mudança no comportamento do consumidor e na sua relação com a cafeteria. Pensando nessa mudança, Elmor trouxe para o Café da Casa Cor a sofisticação ao hábito, tido como um programa de lazer na atualidade. “Criamos uma atmosfera inédita que surpreende os visitantes e os transporta para outra realidade. Um lugar estimulante e ao mesmo tempo um convite ao ócio criativo”, revela.

No projeto, Elmor esbanjou o uso de obras de arte e nos móveis expostos no ambiente. Para ele, um trabalho arquitetônico vai além de um projeto. “A arquitetura deve surpreender e emocionar o espectador. Neste espaço, o passante poderá além de tomar um cafézinho, ir de encontro com a ambiguidade humana, em obras de arte integradas à decoração”, conta.


Conceito e projeto

O arquiteto Jorge Elmor procurou, neste espaço, criar um universo antagônico, capaz de levar o visitante ao inferno e ao céu. “(Co)Movidos pelas recentes, constantes e devastadoras catástrofes naturais propusemos um lugar que desperte a urgência na mudança de comportamento. Um câmbio em direção ao consumo responsável dos recursos naturais”, afirma.

O passeio pelo Café é iniciado por um corredor escuro, com iluminação avermelhada, com lâmpadas mini-dicróicas e filtro de âmbar, que levam o olhar para uma instalação tridimensional do artista Cleverson de Oliveira. “A imagem fragmentada expressa o caos próximo, fazendo um alerta sobre o desequilíbrio ambiental causado pelo homem”, conta.

O corredor, segundo Elmor, é um espaço vertiginoso, que encarna o inferno com poemas da Divina Comédia que representam o Inferno de Dante. Para finalizar a composição desta parte, a trilogia Qatsi, de Godfrey Reggio, é representada por uma parede de cristal negro, da Inove Esquadrias. “Koyaanisqatsi, Powaqqatsi e Naqoyqatsi, mostram respectivamente o significado da vida desequilibrada, a vida em transformação e a vida como uma guerra”, antecipa. Na parede oposta, duas televisões LCD apresentam o espaço e sua concepção.

Separado por cortinas negras, o salão principal é um ofuscante contraste com o espaço anterior. Todo projetado em cores claras e suaves, com móveis confortáveis, o ambiente ensaia o papel do céu, ou a utopia do paraíso. “A suavidade deste ambiente, composto (lado direito) por mesas de madeira antiga e pés de metal, com poltronas e cadeiras Louis Ghost, cobertas por voil são uma releitura fantasmagórica de clássicos do design”, afirma Elmor. Castiçais entre as mesas iluminam o ambiente e vão de econtro a mais um poema da Divina Comédia, aliado três telas de Virginia Rojas.

O lado esquerdo do salão, poltronas lounge estão emparelhadas com outras seis poltronas envolvidas em lycra. “A sensação é como se elas fossem expelidas da parede, recriando fantasmas intercalados por vasos com galhos secos”, diz. As poltronas e as cortinas, em alta costura, receberam tecidos leves e finos, executados por Lola.

Clima onírico
Ao centro, um balcão de ônix (pedra iraniana), da NPK, com iluminação interna ampara o atendimento ao público, que se aconchega na bancada com banquetas italianas Zed, da Florense. Em frente, cortinas translúcidas, com imagens criadas pela designer Renata Elmor, envolvem a mesa central de oito lugares, com pé de tronco de árvore, da Villa Sierra, e tampo em vidro. As cadeiras amarelas, Wish Bone, são do designer escandinavo Hanz Wegner. “Os assentos são uma metáfora sobre a leveza e a sorte do paraíso”, brinca Elmor. Sob a mesa, um lustre da E Iluminação, dão um toque suave e sofisticado ao ambiente.
No teto, uma obra de arte da artista plástica Anna Mariah Comodos se tornou o céu do Café. “Uma nuvem serpentando suavemente os 110 m2 do forro, ajudam a criar a atmosfera onírica do salão”, disse. Jorge aplicou neste espaço uma imagem do firmamento, cercado por 12 sentinelas – os titãs -, criado pelo designer Guilherme Abad.
O piso em madeira, nos dois ambientes, são da Triângulo. No corredor, a madeira utilizada foi a Sucupira escura. Já no salão do Café, o piso Tauari. De acordo com Jorge, a escolha do piso estruturado se deu pela inovação e tecnologia sustentáveis.
Neste mix de dois planos, o arquiteto Jorge Elmor procurou criar um sincretismo entre diversas influências religiosas e crenças formam o Espaço Café. Para ele, a necessidade de mostrar o quanto o planeta precisa da atenção dos habitantes formou uma simbiose entre os elementos apresentados. “O ambiente é mais que uma exposição de móveis, esculturas e obras de arte. Esta oportunidade trata da forma como vivemos e como pretendemos continuar na terra”, finaliza.
Site: www.elmor.com.br
Foto Jorge Elmor: Andrea Paccini
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