1 de junho de 2010

Adeus a Wilson Bueno

O escritor, considerado um dos maiores escritores brasileiros da atualidade,  morreu na segunda-feira, em Curitiba.






"Quem sou eu



Entre a perplexidade e o espanto, talvez seja o portador de alguma coisa que nem eu mesmo sei o que seja". Do blog de Wilson Bueno, Diário Vagau.



Abaixo, trecho final  de NÃO HAVERÁ MAIS POLACOS? publicado como posfácio do livro "A Banda Polaca", de Dante Mendonça:
"...Além, claro, do privilégio de conviver, da adolescência até o último dia de sua breve vida, com, dos polacos, o mais insigne --- o poeta Paulo Leminski. A quem eu chamava de “Pablo”, como a seu irmão, outro polaco inolvidável, que, sendo Pedro, passou a se chamar “Piotr”, entre os íntimos.
Com ambos revirei as noites cachorras da Curitiba daquele tempo e pusemos, mais de uma vez, nossa vida ao avesso, não é mesmo Jaime Lechinski? Ou me desminta aí poeta Thadeu Wojciechowski! E juntos compusemos sonetos, canções, haicais. E nos passeios e escaladas ao Marumbi, melhor do que nós ou a memória de nós, que o digam mochilas, violões, estrelas...

Olho lá longe, e em meio à lembrança de meus mortos queridos, o que vejo lá é mais que um quadro de Andersen invadido pelo entardecer de Curitiba. Na memória antiga, vislumbro, como a uma fotografia, a velha “ômama”, lenço na cabeça, sentadinha numa solitária cadeira posta no quintal, o avental sobreposto ao comprido vestido até os pés - estes, por sua vez, enfiados nas meias e nos chinelos. À volta dela, muito eretos, rindo, sujinhos, as franjas cor de milho, quatro ou cinco polaquinhos --- endiabrados.

Olhar lá atrás, assim, é quase uma lágrima."

(Ao Thadeu Wojciechowski)

Sobre o escritor
Wilson Bueno considerado um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos alcançou notoriedade com a publicação de Mar Paraguayo, em 1992. A história, que se passa em Guaratuba (litoral do Paraná), era uma metáfora das ditaduras latino-americanas.
Wilson Bueno nasceu em Jaguapitã, no interior do Estado, mas adotou Curitiba para morar. Começou a escrever aos 13 anos, quando foi convidado a redigir crônicas dominicais para o jornal Gazeta do Povo.

Aos 18 anos, foi ao Rio de Janeiro, onde trabalhou para o Jornal do Brasil e a Tribuna da Imprensa. De volta ao Paraná, criou e editou por oito anos o jornal Nicolau. Antes, em 1986, foi apresentado aos leitores brasileiros pelo poeta Paulo Leminski, com a coletânea de crônicas Bolero’s Bar. Entre as escrituras de seus romances, Wilson Bueno foi colunista dos jornais O Estado do Paraná e O Estado de São Paulo, onde publicava resenhas e crônicas, e do portal Paraná Online. Entre seus livros publicados estão: Jardim Zoológico, Manual de Zoofilia, Meu Tio Roseno, a Cavalo e Bolero’s Bar/Diário Vagau. (Biografia: Paraná Online)
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