8 de junho de 2010

Entrevista com a gemóloga Mariana Magtaz


Poucas pessoas no Brasil possuem certificação internacional em gemologia pelo GIA (Gemolical Institute of America), dos EUA, ou é membro da The American Society of Jewelry Historians, uma delas é Mariana Magtaz.




          Sim, é jóia! de Ivete Cattani
O conceito do que é uma jóia mudou muito ao longo do tempo.  Os designers de jóias contemporâneos enriquecem suas obras com criatividade, técnicas inovadoras, utilização de materiais inusitados, criando moda e tendências em uma sociedade  que quer ter o único e o exclusivo. Veja entrevista com uma das maiores especialistas de jóias do País. Em outubro de 2010, Mariana Magtaz (foto abaixo) será a curadora  da 1ª Exposição Pan-Americana de Arte Nativa, nos Estados Unidos.



Artetecta: Como será a 1ª Exposição Pan-Americana de Arte Nativa?


Mariana Magtaz: Em 20 de outubro de 2010, será inaugurada no Museu de Arte Primitiva de Nova York (que faz parte de Smithsonian Museums) a primeira exposição Pan-Americana de Arte Primitiva. No dia 20, haverá um jantar (para 300 convidados que pagarão US$ 1.500,00 por pessoa para participar) e um leilão com 25 jóias inspiradas na cultura primitiva. Sou responsável pela America Latina, e vou selecionar três jóias para              participarem do leilão.


Artetecta: Quais são as principais tendências em jóias?


Mariana Magtaz: A jóia é um mundo a parte. A jóia circula pela arte, pela moda e tem também seu lugar ao sol, seu status, quando chamada de alta joalheria, ela é JÓIA. “Onipotente, onisciente e onipresente”, a jóia às vezes é simplesmente, a jóia. E não precisa de maiores definições! As gemas seguem as tendências da temporada. No inverno, grande correntes e broches ressurgem. A jóia segue a moda.....e a jóia está acima da moda!!! Cada estação traz uma tendência.

Artetecta: E com relação às pedras, alguma novidade?

Mariana Magtaz: Seguem, normalmente, as cores da moda. E as recentes descobertas: a Turmalina Paraíba é nossa velha conhecida, mas acaba de cair na mão das fashionistas e virou moda.
Foto Anel Amsterdam Sauer com Turmalina Paraíba. (www.portaldasjoias.com.br)


Artetecta: E os materiais, quais são os chamados "inusitados" a que você já se referiu?


Mariana Magtaz: Há 10 anos estudo a história da joalheria no Brasil e no mundo, sou apreciadora de jóias tradicionais e amo as jóias conceituais. Consigo transitar entre o mundo da alta joalheria, da moda e das jóias conceituais com a mesma paixão, interesse e admiração, mas confesso que às vezes me surpreendo...Hoje vemos jóias com plástico, resina, tecido, madeira. Recentemente em Nova York, vi uma jóia feita com pé de veado. A joalheira Ivete Cattani criou um bracelete com rumem bovino (estomago de boi) ( foto ao lado) e Silvia Furmanovich, com asas de besouro.Quando a jóia vira arte, o céu é o limite!


Artetecta: Existe uma forma de se usar jóias para valorizá-las e não se tornar over?


Mariana Magtaz: Para mim, o uso da jóia é “pessoal e intransferível”. Cada um tem seu estilo! É claro, que em um rosto redondo um tipo de brinco fica melhor que o outro e assim por diante. Mas o estilo da pessoa conta muito.


Artetecta: Pessoalmente, o que você gosta de usar e o que jamais usaria, é claro, falando de jóias?
"Mariana Magtaz: Quando o assunto é jóia, acho que posso usar tudo! Me imagino usando um colar de rainha com diamante tipo Harry Winston, Bulgari, Cartier....e ao mesmo tempo, sou completamente apaixonada por um anel de ferro do joalheiro Antonio Moreno.  Demorei a usar as minhas jóias, por muito tempo colecionava e não usava. Depois de muitas críticas (eu dou palestras e nunca estava nem com um brinquinho na orelha) me vi “obrigada” a usá-las. A minha coleção começa com jóias do século XVIII e quem sabe onde vai parar..."



Citrine, foto do blog da Mariana

Artetecta: Qual é o conceito do Brasil no mercado internacional de jóias, com relação à qualidade e design?


Mariana Magtaz: É fato, o Brasil está entre os mais premiados do mundo quando se trata de design de jóias. Mas, precisamos investir mais na imagem do Brasil. Precisamos investir em eventos para o consumidor final. Para mostrar que temos mais do que futebol. Que somos criativos.

Sobre  Mariana Magtaz:




· É autora do livro “Joalheria Brasileira – Do Descobrimento ao Século XX”, lançado este ano em Nova York.

· Entre os mais recentes eventos, foi curadora da mostra de jóias brasileiras da 13ª SOFA New York, uma das mais importantes feiras de arte do mundo, realizada em abril de 2010.·

· Foi professora no Núcleo de Cultura da FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado, no IED – Instituto Europeo di Design e na Panamericana Escola de Arte e Design, nas disciplinas de mercado de luxo, gemologia, desenvolvimento de coleção e história da joalheria.

· É proprietária da Escola de Joalheria Arte Metal (http://escolaartemetal.com.br/), que desde 1994 tem colocado no mercado joalheiros como Camila Lovisaro, Sonia Pasetti, Thais Guarnieri e Vivien Feisthauer.
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