6 de julho de 2010

Nova vida a Salomé de Oscar Wilde



Edição da editora Berlendis & Vertecchia vem com crivo do tradutor Ivo Barroso, e é a primeira traduzida direto do francês.



Tradução do original em francês
O poema dramático Salomé, de Oscar Wilde, destaca-se pela intensa carga simbólica. A peça foi escrita em 1891, no seu melhor momento de produção literária. Escrito inicialmente em Francês e depois traduzido para o Inglês, o texto passou por sérias emendas que geraram críticas do próprio Wilde, que julgou o resultado decepcionante. A edição da editora Berlendis & Vertecchia vem com crivo do tradutor Ivo Barroso, que afirma ser esta, possivelmente, a primeira no Brasil o escritor, dramaturgo e poeta que Salomé é traduzida direto do original em língua francesa. Como conta o editor Bruno Berlendis:
Por que editar Salomé? Por que do francês? Essa segunda pergunta mal se formula para nós, na Berlendis & Vertecchia: trabalhamos sempre com traduções diretas. O caso de Salomé é particularmente ilustrativo, pois as divulgadas versões inglesas perpretaram incorreções e interpretações um tanto ’particulares’ para a obra. Aliás: hoje em dia, nem tão divulgadas assim. Um tanto inexplicavelmente, a peça de Wilde parecia amargar uma espécie de indevido ostracismo. Não apenas no Brasil, são raras, atualmente, as edições críticas ou comentadas. É preciso fazer justiça à peça; é preciso devolver-lhe o devido lugar na dramaturgia e na literatura do fin-de-siècle. Esse é o nosso esforço e nossa motivação: prover condições para que o público, a crítica e o meio teatral possam julgar a obra de Wilde segundo seus próprios parâmetros”.
O livro não só traz história princesa Salomé que dança sobre o sangue para o tetrarca Herodes Antipas, para assim conseguir a cabeça de Iokanaan (João Batista), mas também textos explicativos comparando as traduções em inglês e o francês, curiosidades como os originais bíblicos que fundamentaram a peça, além de trechos relacionados de Fagundes Varela, Gustave Flaubert e Eugênio de Castro. O tradutor teve o cuidado para que a peça não perdesse a sonoridade e ainda fosse usada para ser encenada:
A dificuldade que qualquer outro tradutor teria seria o tratamento. Se você tentar traduzir direto o vous da peça de teatro, o texto servirá para ser lida e não para ser encenada, pois o vós já caiu totalmente do ouvido brasileiro, não falamos mais vós em hipótese alguma. Quando as pessoas se tratam em nível respeitoso, essa linguagem tem que ser respeitosa, e quando é íntimo deve ser íntima, daí eu ter usado nos diálogos do tetrarca com a princesa o tu impreterivelmente. Quem estiver na plateia vai entender perfeitamente, às vezes o tetrarca mistura o tratamento na mesma frase, passa logo para o tu e depois para o você se dirigindo a Isolda.
Outro trecho em que o empregado trataria a princesa Isolda em francês, ele resolve usando o vousvousvous... Eu usei, por exemplo, ‘a princesa vai’, uma forma inteligente que os portugueses usam, pois é elegante e não usa o pronome, ou seja, possui momentos de profunda poesia sem pode deixar de ser teatral”. 
Para que o leitor entre no clima, também foram selecionadas 16 pinturas relevantes que demonstram os diversos tratamentos artísticos do tema, assim como sua longevidade. As ilustrações vão do século XV ao século XX e incluem reproduções de obras de Rogier van der Weyden, Caravaggio, Ticiano, Jean Benner, Oscar Kokoschka, Frans Stuck, Gustav Klimt, entre outros. Três delas estão reservadas para o pintor Gustave Moreau, cuja obra deflagra o drama, como se vê na série que contém Salomé dansant devant Hérode e L’Apparition, pintadas por volta de 1876.
 Ficha técnica:
Editora Berlendis & Vertecchia
Tradução de Ivo Barroso
Páginas: 96
Formato:14X21
ISBN: 978-85-7723-025-9
Valor: R$ 32,00
Editora Berlendis & Vertecchia
Tel:  11 3085-9583
Sobre IVO BARROSO
Ivo Barroso, mineiro, nascido em 1929, mudou-se para o Rio de Janeiro, estudou línguas e literaturas neolatinas na Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro e formou-se em direito pela então Faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara é autor de cerca de 40 livros, a maior parte dos quais de traduções de grandes autores: Hermann Hesse, André Malraux, Umberto Eco, Italo Svevo, Marguerite Yourcenar, Georges Perec, André Breton, August Strindberg, entre outros. Em poesia, traduziu: William Sghakespeare, Eugenio Montale, T.S. Eliot e Erik-Axel Karfeld – além da obra completa de Rimbaud. Organizou a edição da obra de Baudelaire para a Lacerda Editores. De sua lavra, o ensaio: O Corvo e suas traduções (2000)  e o livro de versos A Caça Virtual e outros poemas (2001). Membro do Pen Club e Chevalier des Arts et des Lettres. Seu conto Roteiro Turístico foi publicado em francês na revista Caravanes-8 (Phébus, 2003) em tradução de Didier Lamaison.
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