29 de julho de 2010

Orbitato: criatividade prática na moda e no design

Centro de Estudos em Arquitetura, Moda e Design,  em Santa Catarina, tem a proposta de articular o relacionamento entre a indústria e as  forças criativas do mercado. 

      O Instituto criou do primeiro curso de Formação 
de Modelistas no Brasil



Com sede na cidade de Pomerode, estrategicamente inserido no pólo da indústria têxtil de Santa Catarina, o Orbitato é um Centro de Estudos, em Arquitetura, Moda e Design, que se propõe a articular o relacionamento entre a indústria e as inúmeras forças criativas do mercado, potencializando o surgimento de cultura e inovação.
Sua programação de cursos, oficinas e eventos voltados ao complemento e à especialização dos estudos tradicionais é capaz de reunir em um mesmo espaço profissionais renomados - como Ana Lúcia Niepceron, Suzana Salquin, Ronaldo Fraga, Luis Fernando Campanella, Sandra Harabagi e Jum Nakao - com colaboradores das grandes empresas da região, além de profissionais de criação das mais diferentes áreas e procedências. 
O contato com profissionais de forte atuação no mercado torna possível a realização

                   As oficinas oferecidas pelo Orbitato reúnem diferentes áreas do conhecimento  e realidades profissionais 
A criação do primeiro curso de Formacão de Modelistas no Brasil e o desenvolvimento de uma linha de produtos para a marca Altenburg dentro Curso de Pós-Graduação em Criação e Desenvolvimento de Produto são exemplos de parcerias que produzem resultados efetivos para todos os agentes envolvidos no universo têxtil e de design de produtos brasileiros. 
Entrevista com Celaine Refosco
Na entrevista abaixo, a artista plástica e diretora do Orbitato, Celaine Refosco (foto) explica a filosofia do instituto e suas recentes realizações:




1 - Como surgiu a ideia do Orbitato?
Iniciamos o Orbitato reconhecendo que na indústria a capacidade de criação está atrelada ao conhecimento técnico. Ao longo de cerca de três anos de trabalho, foi ficando cada vez mais claro que o conhecimento técnico é de fato condição fundamentadora da capacidade de criar.
Percebemos  que a palavra criatividade, quando usada de maneira solta, não só não tem nenhum valor como até assusta o empresário, causando uma série de danos nas empresas e no mercado. Constatamos também que, na mesma medida da necessidade do conhecimento técnico, está a necessidade da capacidade de compreensão do mundo.
Atualmente, um bom profissional tem que poder dominar o seu ofício técnico e pensar o seu fazer no contexto do mundo, acompanhar as mudanças que são tão rápidas, poder discernir, entender, contextualizar, opinar, para poder ter o que tanto se deseja: iniciativa.
Nossa vocação é essa: especializar. Não viemos para competir com as graduações que já estão implantadas de maneira sólida, viemos para complementar, aprofundar, valorizar talentos. Pretendemos continuar atuando nesta etapa do amadurecimento profissional
2 - Como você enxerga a indústria têxtil e de moda atual em Santa Catarina?
Santa Catarina concentra a indústria têxtil legal mais saudável do país. No início, o mercado de confecção tinha fins muito práticos, fazendo roupas funcionais, para aquecer, dormir, vestir crianças. Com freqüência quem fazia os moldes eram as mulheres, que já tinham este conhecimento, pois faziam roupas para a família. Hoje Santa Catarina quer fazer moda, o que exige uma profissionalização em muitas outras áreas do conhecimento.
Na indústria da moda, há um mito em vigor de que quem cria é o estilista, quando na verdade a criação industrial é uma ação coletiva. O estilista é uma espécie de ordenador da criação, mas a criação em si é compartilhada, no mínimo com quem desenha e com quem modela. Além disso, há uma grande carência por profissionais como modelistas no mercado, e por outro lado, não há cursos de formação para eles. Em geral é uma daquelas profissões em que se aprende a fazer fazendo. Por isso criamos um curso específico para modelistas, dos novos tempos, por exemplo.
3 – Como funciona a estrutura dos cursos?
Temos por principio utilizar como espaço pedagógico, locais que possam contribuir significativamente com o desenvolvimento do aprendizado pretendido. Durante os momentos teóricos, reflexivos ou construtivos estamos em Pomerode, mas as vezes é necessário estar dentro de uma fábrica, de uma confecção, nas ruas, para poder de fato reunir elementos que nos levem a compreender determinadas realidades. Temos acordos com empresas que abrem suas portas para o aprendizado e isto é muito salutar.
4 – Fale um pouco sobre a abordagem pedagógica dos cursos e a escolha dos professores?
Consideramos fundamental saber fazer para poder ensinar. Não acreditamos em professores de carreira, aqueles que só ensinam e se eximem de realizar. Nossos professores são profissionais atuantes, assinam seus próprios trabalhos ou atuam em empresas, em posições de destaque. A relação entre teoria e prática começa aí.
Além disso, não gostamos de professores que guardam para si o “pulo do gato”, como também não queremos ter alunos “clientes”. Fazemos questão de reunir quem quer muito aprender, se transformar, se melhorar, com quem de fato quer ensinar e vê nesta ação, ensinar, uma possibilidade concreta de transformação da realidade.
Estes são nossos fundamentos pedagógicos, reunir quem aprender com quem quer ensinar. Não há outra forma, embora muito se tente e se teorize a respeito. O conhecimento precisa ser um desejo profundo dos envolvidos na ação pedagógica.
5 – Na sua visão, quais os desafios para a indústria têxtil catarinense alcançar o status de formadora de moda?
A cultura da cópia ainda existe, mas cada vez de maneira menos estruturada. Isso de ir para a Europa, comprar modelos para serem copiados, ainda se faz, mas felizmente menos. Em suma, cada vez mais o produto copiado vale menos. O produto copiado não garante de maneira alguma que uma marca venha a ter um DNA como se diz atualmente, a cópia não garante a identidade.
As marcas, mesmo as pequenas, estão tendo que parar para pensar e decidir como querem ser, que produtos querem ter, que características desejam para seu produto, que clientes buscam e como se relacionar com este cliente. A primeira medida de identidade é a forma. Embora visualmente seja difícil detectar, com freqüência escolhemos roupas, calçados, porque “vestem bem” e não porque são bonitos, de bom material. Ou ao contrário, compramos o “bonito” mas não conseguimos usar porque não veste como devia.
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