26 de agosto de 2010

“Os jogos espaciais de Sérvulo Esmeraldo”


Obra e vida do escultor cearense Sérvulo Esmeraldo são tema de palestras no programa "Troca de Ideias".



FORTALEZA, 26.08.2010 – A obra e a vida de um dos artistas brasileiros de maior projeção internacional – o escultor, gravador, ilustrador e pintor cearense Sérvulo Esmeraldo (Crato, CE, 27/02/1929) – será tema da palestra intitulada “Os jogos espaciais de Sérvulo Esmeraldo”.
Com entrada franca, a palestra será ministrada pela professora-doutora e livre-docente em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), Ana Maria Belluzzo, dentro do programa de debates Troca de Ideias, nos Centros Culturais Banco do Nordeste-Fortaleza e Cariri.
No CCBNB-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108), a palestra acontecerá na próxima quarta-feira, dia 1º de setembro, às 18h30; e no CCBNB-Cariri (rua São Pedro, 337 – Centro – fone: (88) 3512.2855), em Juazeiro do Norte, no próximo dia 3 (sexta-feira), também às 18h30.
Através da exposição individual “Ocupação do Espaço”, Sérvulo Esmeraldo reúne um conjunto significativo de seus trabalhos nos CCBNBs-Fortaleza e Cariri, nos quais estão em curso idéias nascidas na década de 1980, mas que agora ganharam novas concreções. No CCBNB-Cariri, a exposição continua em cartaz até o próximo dia 4 (sábado).
Organizadas pela curadora Dodora Guimarães, as duas exposições fazem jus à integridade desse importante artista, que voltou a trabalhar em Fortaleza, depois de morar muitos anos no exterior.
As obras de Sérvulo guardam sinais de seu extenso percurso – do traçado gráfico à escultura construída em espaço urbano. Dão testemunho da melhor tradição da escultura contemporânea feita por artistas brasileiros, que revela ágil pensamento visual, abreviado e compacto, próprio do artista gráfico, e a índole do escultor que submete sua obra ao ambiente.

Sérvulo Esmeraldo, obra e vida

*Por Cassandra de Castro Assis Gonçalves e Daisy Peccinini de Alvarado

"Sérvulo Esmeraldo é um dos artistas brasileiros de maior projeção internacional. Seu rigor geométrico-construtivo e sua disciplina criativa colocaram seu nome em destaque a partir da década de 1950, e, através deste renome internacional, o artista luta continuamente pela divulgação da arte nordestina e pela renovação artística do seu Estado.
Nascido no Crato em 27 de fevereiro de 1929, aos 18 anos Sérvulo vai para Fortaleza, onde toma contato com os artistas da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), como Inimá de Paula, Aldemir Martins e Antônio Bandeira, além de receber orientação de Jean Pierre Chabloz.
Neste período, realiza xilogravuras com inspiração na gravura popular, de formas puras e em preto e branco, que aos poucos vão sofrendo influências de Goeldi – em especial a partir de 1951, quando se transfere para São Paulo e toma contato, através de Aldemir Martins, com Sérgio Milliet, Bruno Giorgi, Lívio Abramo e com o próprio Oswaldo Goeldi.
Em 1957 realiza uma individual no MAM e, no ano seguinte, parte para Paris como bolsista do governo francês, onde estuda litogravura com Johnny Friedlander e frequenta o ateliê da Escola de Belas Artes de Paris.
A partir daí a obra de Esmeraldo vai tomando uma feição mais abstrata e se afasta das influências nordestinas. O figurativismo de formas puras dá lugar a um concretismo consciente e estudado, e a escultura predomina sobre a gravura.
Segue as idéias de Van Doesburg e da Bauhaus, e seus elementos são, quase invariavelmente, a reta, o ângulo, o preto e o branco, resultado também de sua experiência gráfica. Muitas delas são desmontáveis, permitindo uma interação e a recriação da obra pelo espectador.
Durante os anos 1960, o artista vai se integrando à Escola de Paris, fazendo apenas visitas esporádicas ao Brasil. Sempre preocupado com a escultura, realiza experiências com arte cinética que resultam, em 1975, nos ‘Excitáveis’ – caixas cobertas de acrílico que podemos chamar de quadros-objetos, dentro dos quais elementos móveis respondiam à eletricidade estática gerada ao se friccionar a tampa.
Em 1977, Sérvulo volta ao Brasil decidido a promover a divulgação da arte contemporânea em seu Estado, particularmente em Fortaleza - e para isso vai usar sua própria obra, espalhando suas esculturas pelos prédios da cidade, fazendo uma articulação entre arquitetura e escultura que pode ser sentida em toda a cidade. A linearidade e a crescente monumentalidade de suas esculturas ganham as ruas e vão aos poucos se integrando ao meio de forma consciente - o artista passa a realizar esculturas que interagem com o vento, a água e o sol.
Sérvulo Esmeraldo contribuiu não só para a divulgação da arte brasileira no exterior - tendo fundado o Museu de Gravura no Crato, em 1956, introduziu Mestre Noza no livro Via Sacra, ensaio sobre a gravura nordestina, e publicou ainda o estudo L’imagirie Populaire au Brésil - como para trazer a arte contemporânea de todo o mundo para sua cidade. 
Foi o organizador das Exposições Internacionais de Esculturas Efêmeras, em 1986 e 1991, da qual participaram muito artistas nacionais e internacionais, que mandavam seus projetos para serem montados aqui, em geral com materiais baratos, e desmontados depois da mostra, o que possibilitava baixo custo"
(*) Texto de Cassandra de Castro Assis Gonçalves [bolsista IC-FAPESP] e Profa. Dra. Daisy Peccinini de Alvarado [orientadora MAC-USP]
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