14 de outubro de 2010

Mercado reage frente à falta de engenheiros


O setor privado e entidades vêm desenvolvendo iniciativas para minimizar o impacto da escassez da mão de obra especializada. Para 2011, a Fundação Estudar prepara um novo programa focado nas engenharias.

Mercado imobiliário aquecido, investimentos em infraestrutura, Copa de 2014 e Olimpíadas em 2016 têm feito a demanda por engenheiros de todas as áreas crescer ano a ano no Brasil. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 2012 haverá 150 mil vagas para engenheiros não preenchidas no país. O Brasil possui cerca de 600 mil engenheiros registrados e forma outros 30 mil ao ano. Enquanto isso, a China forma 400 mil e a Índia, 300 mil – números proporcionalmente maiores mesmo considerando a grande vantagem populacional desses países.
Diante este cenário, o setor privado e entidades vêm desenvolvendo iniciativas para minimizar o impacto da escassez da mão de obra especializada. A Fundação Estudar, entidade criada em 1991 para apoiar estudantes com potencial de colaborar com o desenvolvimento do Brasil, incluiu as engenharias no seu processo seletivo a partir de 2007. No total, 39 estudantes de engenharia já integram a comunidade da Fundação Estudar, o que corresponde a 37% do total de bolsas concedidas nos últimos três anos – desde que os engenheiros passaram a participar do processo seletivo. Em 2010, mais da metade dos 24 estudantes escolhidos, entre mais de 4 mil inscritos, cursam engenharia, número que demonstra o aumento do interesse dos estudantes dessa área por incentivo econômico e orientação profissional. Para 2011, a Fundação Estudar prepara um novo programa focado nas engenharias.
“Entendemos que todas as especialidades de Engenharia são fundamentais para o desenvolvimento produtivo do país, seja por meio do planejamento de obras de infraestrutura, para a melhoria da produção de empresas e para o desenvolvimento de produtos e soluções que melhorem a qualidade de vida da população”, afirma Thais. O próximo processo seletivo abre as inscrições em janeiro de 2011 e além das engenharias, há bolsas para Administração, Direito e Ciência da Computação nas melhores universidades brasileiras.

Capacitação visa especialidades – Dependendo das características do mercado de atuação, jovens engenheiros dedicam horas em processos de capacitação dentro das empresas. O principal objetivo é praticar a teoria ensinada no ambiente universitário. Na Algar Telecom, empresa do Grupo Algar, que oferece serviços de telefonia, internet banda larga (3G e ADSL), comunicação de dados e TV via satélite (DTH), não existe distinção da formação na hora da contratação, já que a empresa investe entre R$1,5 milhão e R$ 2 milhões em treinamentos específicos. “Nós percebemos um déficit de mão de obra high-tec, já que o setor de telecom apresenta um crescimento vigoroso. Optamos então por contratar um profissional recém-formado e treiná-lo diante nossas necessidades”, afirma Paulo Dias, coordenador de Talentos Humanos da Algar Telecom.
Já a Engeset, empresa desenvolvedora de projetos de implantação de rede de fibra ótica com 18.000 km em todo território nacional, criou um programa de formação para investir em estagiários de engenharia. A capacitação inclui desde palestras com foco na prática e auxílio-educação de 50%. Neste ano, a empresa contratou uma consultoria para mapear as aptidões, competências e perfil de liderança dos jovens profissionais. “A maioria dos nossos associados tem formação em engenharia e atuamos num mercado com muitas particularidades – redes de fibra ótica. Por isso, precisamos de educação continuada já que a atualização técnica neste setor é demanda constante”, afirma Maria Luiza Gomes, analista de Talentos Humanos da Engeset. Em agosto deste ano, a companhia investiu R$ 465 mil em auxílio-educação e treinamento dos estagiários e trainees. Entre esses profissionais, o destaque é a engenheira Suellen Moreira Marques, 23 anos.
Ela entrou na Engeset em setembro do ano passado como estagiária, participou de todo o programa de capacitação e foi contratada um ano depois para cuidar da gestão de processos da empresa. Atualmente, faz mestrado na área de engenharia elétrica em “Processamento de Sinais”, com benefício da empresa, o auxílio-educacional. “A universidade não prepara o profissional para colocar a mão na massa. Ele chega com as idéias do mundo acadêmico, as quais muitas vezes não se aplicam na prática”, complementa Paulo Dias.
Aprendendo na prática - A Rohr, especializada em engenharia de acesso e construção, encontrou duas soluções para diminuir o problema da falta de mão de obra especializada: treinamento prático e contratação com foco em formação. A companhia firmou parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e disponibilizou equipamentos para que os alunos possam montá-los e desmontá-los dentro do instituto com o objetivo de incentivar a prática desde o processo de formação. A Rohr também está selecionando dez tecnólogos do IFSP como trainees.
Os jovens profissionais farão parte do quadro da empresa nos próximos anos e, após passarem pelo processo na companhia, os efetivados ainda terão direito a bolsa de estudos para cursarem uma faculdade de engenharia. "Não adianta ampliar a oferta de máquinas e não ter equipe especializada. Vamos formar mão de obra técnica, porque está faltando especialista no mercado", afirma o vice-presidente executivo da empresa, Fernando Canteruccio.
______________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário