17 de outubro de 2010

Sustentabilidade: empresa paranaense é finalista do prêmio Planeta Casa 2010


O projeto da casa modelo articulado pelo Sistema Fiep utiliza tecnologia trazida ao Brasil pelo Senai Paraná e tem apoio do Conselho Setorial da Indústria de Base Florestal da Federação.


A empresa paranaense Tecverde é uma das finalistas do prêmio Planeta Casa 2010, promovido pela revista Casa Cláudia, da Editora Abril. A casa modelo construída pela companhia, em um projeto que contou com a articulação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), foi uma das três selecionadas entre mais de 300 concorrentes na categoria “Projeto Arquitetônico”. Os vencedores do concurso serão conhecidos na próxima terça-feira (5), em São Paulo. 
A casa modelo da Tecverde, empresa que tem sede em Curitiba, foi construída utilizando a tecnologia wood frame, que além de usar madeira certificada de reflorestamento, permite montagem rápida da estrutura e baixa geração de resíduos durante a obra. 
A tecnologia foi trazida ao Brasil pelo Senai Paraná, após uma missão técnico-empresarial à Alemanha, no ano passado, organizada pela instituição em parceria com o Ministério da Economia da região de Baden-Würtemberg. “Como o setor madeireiro brasileiro é muito dependente do mercado externo, no auge da crise internacional fomos procurar alternativas para aumentar o uso da madeira aqui mesmo no Brasil”, conta o gerente de tecnologia industrial do Senai Paraná, Reinaldo Tockus. 
Na Alemanha, o Senai encontrou a empresa Weinmann, que buscava novos mercados para máquinas de beneficiamento de madeira. “Aqui no Paraná, a Tecverde foi a primeira empresa a se interessar pela tecnologia e começamos a desenvolver o projeto”, explica Tockus. 
Ainda em 2009, dentro da estrutura do Conselho Setorial da Indústria de Base Florestal da Fiep, foi criada a Comissão Casa Inteligente, reunindo empresários da cadeia produtiva da madeira e da construção civil, pesquisadores, profissionais da área e representantes de sindicatos, associações e universidades. O coordenador do Conselho, Roberto Gava, explica que foram criados grupos de trabalho para debater e encontrar soluções sobre diversos aspectos técnicos que envolviam a utilização do wood frame na construção de casas. “A comissão deu um norte ao projeto e este ano a Tecverde ergueu a sua primeira casa modelo usando a tecnologia”, conta Gava.
Para ele, a indicação do projeto ao Prêmio Planeta Casa é um passo importante no processo de mudança da cultura brasileira em relação a casas que utilizam madeira em sua estrutura. “No Brasil, diversas vezes já se tentou estimular o uso de casas de madeira, mas isso sempre adquiriu sentido pejorativo. Mas em uma casa, a madeira é o único produto totalmente renovável, vinda de áreas de reflorestamento, que contribuem para o sequestro de gás carbônico”, afirma Gava. 
Caio Bonatto, diretor da Tecverde, afirma que a indicação ao prêmio Planeta Casa é um reconhecimento pelo foco em sustentabilidade e inovação que a empresa aplicou em todo o projeto. “Diferente de outras casas já feitas no Brasil, que apresentavam soluções sustentáveis pontuais, como um painel para captação de energia solar ou uma cisterna, a nossa tem toda uma nova tecnologia aplicada ao processo de construção”, diz. 
Agilidade e custos baixos 
 O engenheiro Euclésio Manoel Finatti, diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR) e coordenador da Comissão Casa Inteligente, concorda que o apelo à sustentabilidade é uma grande vantagem das edificações que utilizam a tecnologia wood frame. “Uma construção com essa tecnologia usa de 15% a 20% de materiais que não agridem a natureza, podendo chegar a até 40%, dependendo do acabamento que se dê à casa”, diz. 
Além disso, Finatti explica que, no caso do imóvel modelo erguido pela Tecverde, que tem uma área total de 166 metros quadrados, a obra ficou entre 15% e 20% mais barata do que uma construção normal. “Isso porque foi feito um acabamento de primeira linha”, conta. Outra vantagem, segundo o engenheiro, é a rapidez com que a obra é finalizada. “A casa modelo levou três meses para ficar pronta, desde que os materiais saíram da fábrica até a conclusão. Mas o objetivo é agilizar o processo industrial, fazendo com que uma casa como essa fique pronta em 60 dias, diminuindo ainda mais os custos com mão-de-obra”, afirma Finatti. ___________________________________________________

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