25 de novembro de 2010

Considerações sobre um arbusto - Um sinal de otimismo


"Arbustos brotam de dentro do concreto, dando uma mensagem clara de otimismo e de confiança no futuro". Leia artigo de Célio Pezza*.


Era um final de tarde quente e o trânsito estava todo congestionado. Para quem mora em uma grande cidade como São Paulo, esta é uma cena comum e não significa nada mais do que um dia normal na hora do "rush". Era uma movimentada avenida (para os paulistanos, a conhecida e vagarosa Marginal Tietê), ao lado do rio Tietê, que já foi um rio limpo e onde os casais passeavam em pequenos barcos aos finais de semana. Hoje, coitado, na zona urbana da grande São Paulo, é simplesmente um volume de água suja e fétida, onde não se percebe movimento algum e classificado pelos especialistas como um rio sem vida.
Em cima deste símbolo da ignorância humana, um extenso viaduto já corroído pela ação do tempo e mostrando em algumas partes a ferragem já enferrujada. Toneladas de ferro e concreto que um dia foi o orgulho de seu construtor, e que hoje também já dá mostras de cansaço e falta de vida. Um prédio tem vida? Da forma como entendemos, não. Uma construção não tem vida. Ela somente tem uma história e é testemunha muda de fatos que ocorreram ao seu lado.
Mas voltemos ao início: um rio sem vida, uma construção deteriorada, um dia de calor, um trânsito caótico, milhares de seres estressados em seus carros e, como tempero para esta salada insólita, o cheiro de água podre.
Será que o ser humano tem como reverter tanto estrago feito neste mundo? Será que existe realmente vontade de mudar o rumo das coisas? Será que todos pensam que um rio estragado não fará diferença? Será que o empresário que polui e estraga o meio ambiente, acredita não ter problemas para ele e seus filhos por morar distante, não beber da água daquele rio e não respirar do mesmo ar que sai sem controle das chaminés de sua empresa?  É certo achar que tudo vale em nome do progresso, até destruir quem só nos ajuda? O fim justifica os meios? É certo fazer algo errado, contra a Natureza, sob a alegação de que isto vai trazer algum tipo de benefício para alguém? Este é um pensamento de curtíssimo prazo e de absoluta falta de inteligência, acreditem. Precisamos parar de pensar só no curto prazo. Não estamos acostumados a pensar nas próximas décadas, na qualidade de vida futura e muito menos com a preservação da espécie.  Por outro lado, será que não temos sinais evidentes de que o futuro da raça humana está sendo comprometido neste exato momento? Será que não estamos exatamente na "hora da virada"? 


Existem os pessimistas que dizem que o Homem está fadado a ter um final infeliz e alegam que ele carrega uma carga destrutiva tão grande que um final catastrófico é inevitável. Mas vamos voltar à cena inicial, ao rio sem vida, ao viaduto deteriorado, ao cheiro fétido. Subitamente, uma cena aparentemente sem nenhum atrativo chama a minha atenção: um lindo arbusto nascendo por entre uma das inúmeras rachaduras do viaduto! Um olhar mais atento e vi dezenas deles, surgindo vitoriosos por muitas das pequenas fendas de concreto. Sem terra, num ambiente altamente poluído, respirando gases dos escapamentos dos veículos dia e noite, sem ninguém cuidando deles e, de acordo com os pessimistas, sem chance de vida. Mas contra toda a lógica humana, lá estão eles, cheios de vida, brotando de dentro do concreto, dando uma mensagem clara de otimismo e de confiança no futuro. Um pequeno recado da Natureza para todos os homens que enxergam e que entendem o que está acontecendo.
Diz o ditado: Quem tem ouvidos, que ouça; quem tem olhos, que veja!  A maior força deste mundo está conosco!  Não estamos sós nesta batalha. O Homem tem um aliado cuja força ele nem imagina existir. A Natureza quer nos ajudar, ela renasce das cinzas e dignifica um mundo corrompido. Ela está com as mãos estendidas, disposta a cooperar para fazer deste mundo um lar digno de deuses! Nunca teremos um aliado tão fiel e tão bondoso e, graças aos céus, vemos crescer esta consciência em todos os cantos do planeta. As mensagens estão por todos os cantos, para todos, sem distinção e cada qual à sua maneira, poderá despertar para esta realidade. Como não ser otimista quanto ao futuro, com uma força deste tamanho nos ajudando? Somente se todos ignorassem esta realidade e ninguém percebesse nenhum sinal, somente assim, a Terra seria um dia uma lenda! Mas, não é o que está acontecendo. Estamos vendo cada vez mais seres humanos se preocupando e começando fazer um pouco, não por si, mas pelo futuro da raça humana.
Por esta razão, sou otimista quanto ao destino final e acredito que um dia o Homem ocupará seu lugar de direito neste imenso Universo. Se imaginarmos que exista somente um ser humano em cada trezentos já pensando desta forma e fazendo sua parte, já somos mais de vinte milhões no mundo. Como saber de tudo isso, como ter esta certeza? Eu diria que basta olhar com atenção um arbusto lindo crescendo do meio de uma rachadura no concreto de um viaduto corroído pelo tempo, ao lado de um rio sem vida, poluído e mal cheiroso, num dia quente de verão e parado no meio de um congestionamento em uma das maiores cidades do mundo. Os sinais desfilam ao nosso lado todos os dias! Basta olhar e enxergar de verdade, com outros olhos. Depois é só começar a trabalhar. 


Sobre Célio Pezza 

Célio Pezza é escritor (www.celiopezza.com), mas tem sua formação acadêmica em Química e Administração de Empresas. Nascido em Araraquara, interior de São Paulo, Célio mora atualmente em Veranópolis, no Rio Grande do Sul.


Suas obras são: A Nova Terra (1999 – Brasil) / - O Conselho dos Doze (2000 – Brasil) /  The Seven Doors – em inglês (2006 by Trafford Publishing, Canadá-USA-UK) / As Sete Portas (2008 – Brasil) / Ariane (2008 - Brasil) / A Palavra Perdida (2009 – Brasil)

___________________________________________________
  

Nenhum comentário:

Postar um comentário