29 de novembro de 2010

Exposição “John Graz” no MON em Curitiba


Mostra reúne cerca de 180 peças inéditas de um dos mais influentes artistas plásticos.

John Graz ficou conhecido como arquiteto de interiores, criador de móveis futuristas e introdutor do estilo art déco no Brasil.

A partir do dia 9 de dezembro os curitibanos poderão conferir uma exposição inédita no Museu Oscar Niemeyer (MON), que reunirá cerca de 180 peças de um dos mais influentes profissionais das artes plásticas, designer e arquitetura do século XX, John Graz (1891-1980). Com o título “John Graz”, a mostra tem o objetivo de apresentar a visão do artista sobre a terra que escolheu para viver.
John Graz nasceu em Genebra na Suíça e ingressou em 1911 na Escola de Belas Artes, atual Haute École d´Art et Design. Depois de trabalhar com a produção de cartazes publicitários e vencer vários concursos, chegou ao Brasil em 1920 trazendo suas influências das vanguardas européias, e aqui permaneceu, absorvendo a cultura do seu novo país. Por isso, a exposição possui a temática brasileira e seus diferentes estilos em que foram produzidos. 
O destaque fica por conta das obras criadas pelo artista durante os vários anos em que viveu no Brasil. O público terá contato com estudos, cadernos de viagem e esboços, por meio de desenhos modernistas do artista. Cenas da arquitetura brasileira, viagens, festas e paisagens, flora e fauna,  o homem e o trabalho. O Brasil de John Graz traz uma diversidade de técnicas e temas relacionados à visão modernista de um país tropical. 
Com curadoria compartilhada entre a arquiteta e produtora cultural Consuelo Cornelsen, da Planeta Brasil, o curador e especialista em John Graz, Sérgio Pizoli e o pesquisador e colecionador de mobiliário Sérgio Campos, a exposição irá fundo nas obras do mestre moderno, reunindo significativas peças, que vão desde pinturas, como a Chegada ao Brasil, Bandeirante, Menino com Caranguejos, Un miau tout simple, Medaillé, entre outras, além das peças de mobiliário moderno como cadeiras, poltronas e sofás. 
Para Pizoli, Graz “fez do desenho artístico uma atividade permanente, elaborando séries de estudos que, muitas vezes, não chegaram a ser executados em tela ou mural, mas têm o requinte formal de obra acabada. Seu trabalho plástico retoma o desenho clássico, incorpora a iconografia brasileira, assume e difunde as influências modernistas”, diz. 

                                   Imagem para ilustração
Outro traço marcante no trabalho de John Graz é a sua relação com o movimento. As personagens de suas pinturas e desenhos estão sempre realizando alguma ação, por exemplo, os índios caçam, os cavalos galopam, os homens guerreiam, navegam ou simplesmente agem. 
Já de acordo com Campos, o artista “procurou, dentro do espírito moderno, integrar as diversas manifestações da arte em seus projetos, e ficou conhecido como arquiteto de interiores, criador de móveis futuristas e introdutor do estilo art déco no Brasil. Na verdade, John Graz é muito maior que qualquer uma dessas definições”, explica, já que o artista conseguiu unir arte, arquitetura e design em uma única linguagem plástica. 
Consuelo complementa que “o sensível artista John Graz adquiriu uma multiplicidade de talentos. Ele pinta a realidade com uma essência emotiva, cenas que ele retrata a partir de seu interior. Desenhava como se escrevesse um poema, ao qual poderia ser lido em cada traço”, diz. 
A exposição permanece no MON até o dia 3 de abril de 2011 na sala Guignard. 
Sobre John Graz 
Suíço radicado no Brasil desde 1920 traz para o cenário das artes brasileiras as influências renovadoras dos movimentos europeus do século XX. Após sua formação artística na Escola de Belas Artes de Genebra, onde cursou Arquitetura, Decoração e Desenho, viaja para Espanha. Suas obras lá produzidas impressionam Oswald de Andrade que o convida a participar da Semana de Arte Moderna 1922, ao lado de nomes como Anitta Malfatti, Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro. É um dos fundadores da Sociedade Pró Arte Moderna (SPAM) e participa do Clube dos Artistas Modernos (CAM). Em 1925, inicia suas atividades como arquiteto e designer de interiores, dedicando-se por quase quarenta anos a este segmento profissional. 
Faleceu em 1980, aos 89 anos, deixando um acervo, ainda hoje inédito, com desenhos, estudos, plantas baixas, cadernos de viagem e de anotações, aos cuidados de Annie Graz, sua segunda esposa. Este acervo encontra-se, atualmente, sob a guarda do recém-fundado Instituto John Graz, presidido por Annie Graz. Mais informações pelo site www.institutojohngraz.org.br. 
Serviço
Quando: De 9 de novembro a 3 de abril de 2011.
Onde: MON – Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba)
Horário de atendimento: De terça-feira a domingo das 10h às 18h.
Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (estudantes identificados). Compra de ingresso até 17h30.
Informações ao público: (41) 3350-4400
 
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