12 de abril de 2011

"O Pássaro Azul" de Rogério Degaki


A Casa Triângulo, em São Paulo, inaugura, no dia 14 de abril, a quarta mostra individual do artista plástico que poderá ser visitada até 07 de maio.

A obra central da mostra com seus 2,30m de altura em azul cintilante, o próprio Pássaro Azul, é feita em resina revestida com tinta automotiva e remete a um processo semelhante ao de lapidação de pedras preciosas.


Serão exibidas oito obras inéditas produzidas em 2011, sendo cinco esculturas, duas pinturas e uma instalação composta por pequenas peças em formato de balas. A exposição poderá ser vista na sala principal e mezanino da galeria até o dia 07 de maio.

A obra de Rogério Degaki trata de forma sutil e silenciosa de questões relacionadas ao corpo, à sexualidade, à morte e à melancolia e habita um mundo de artificialidade instituído pelos contos de fadas, a televisão, a cultura pop, o anime, e as revistas em quadrinhos.   
Nesta nova série de trabalhos, o artista nos apresenta uma cristalização deste conjunto de referências e incorpora o tema do Pássaro Azul, inspirado no clássico do cinema americano de 1940. A narrativa do filme acompanha a personagem Mytyl, vivida pela atriz Shirley Temple, que junto com seu irmão Tytyl, é guiada por uma fada madrinha em uma fantástica viagem através do passado, presente e futuro em busca do lendário Pássaro Azul da felicidade.  
 Logo à entrada da galeria está a obra central da mostra com seus 2,30m de altura em azul cintilante, o próprio Pássaro Azul. Sua forma incorpora circunstâncias espaciais a elementos da ordem do projeto e escala. A materialidade da peça em resina revestida com tinta automotiva, marca registrada na obra do artista, apresenta uma superfície de lisura perfeita que remete a um processo semelhante ao de lapidação de pedras preciosas. Degaki transforma materiais comuns em modelos ideais, tangenciando a forma industrial pura e o domínio absoluto da técnica. 
O deslocamento e o estranhamento também são solicitados na construção das peças e constituição dos espaços onde são expostas, potencializado pela presença e posição dos objetos em situações improváveis. Como a dupla de Belvederes em ouro e prata (Mytyl e Tytyl?), figuras cabisbaixas colocadas em beiradas próximo ao mezanino da galeria, como se estivessem em parapeitos prontas para se atirar num suicídio impossível de um belvedere melancolicamente baixo demais.   
Esta aparente duplicidade também é vista em outras peças da exposição, como o par de olhos de brinquedo mega ampliados Temple (castanho) e Sinatra (azul) que observam de cima do mezanino, ou as duas telas de grandes dimensões colocadas frente a frente, que reproduzem padronagensno estilo das estampas Jacquard, formando uma espécie de espelhamento às avessas e propondo uma troca de lugares entre as cores esmeralda e bege. 
Numa exposição que agrupa uma diversidade de obras, muitas das quais idealizadas há alguns anos e só agora concretizadas, é inevitável que algumas assumam certo protagonismo. E sem dúvida nenhuma, os momentos mais impactantes dentro deste percurso são aqueles onde fica evidente que a prática artística e a relação direta com a estética da artificialidade passam a servir a Rogério Degaki como códigos de representação sem perder o seu vigor.
Sobre o artista 
Graduado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em 2000, Rogério Degaki (36) fez residência, durante seis meses, na Cité Internationale des Arts, Paris/França, em 2005. Esta será sua quarta individual na Casa Triângulo, tendo já participado de importantes coletivas como a "Paralela 2010" com curadoria de Paulo Reis e a mostra "Quando Vidas se Tornam Forma: Diálogo com o Futuro" noMuseu de Arte Moderna, São Paulo/Brasil, além de exposições internacionais em instituições como o YBCA-Yerba Buena Center for the Arts, São Francisco/EUA e  Museum Of Art, Tóquio/Japão.
www.casatriangulo.com
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