4 de maio de 2011

Materiais modernos, técnicas antigas nos tapetes tibetanos em exposição na Bahia




Parte II
Produzidos artesanalmente por refugiados do Tibete no Nepal, os tapetes da coleção são confeccionados com as mesmas técnicas milenares de ponto fino e coloração natural.






O atelier By Kamy revitalizou alguns dos 108 modelos retratados no livro "The Tiger Rug of Tibete", a partir de materiais contemporâneos e ecologicamente corretos, como fibras de aloe, cactus e hemp, dando origem a uma coleção que é sinônimo de luxo, consciência ecológica e riqueza histórica. Originalmente, os modelos do livro eram feitos com seda e lã com predominância das cores azul escuro, vermelho claro, ocre e ouro.
Produzidos artesanalmente por refugiados do Tibete no Nepal, os tapetes da coleção são confeccionados com as mesmas técnicas milenares de ponto fino e coloração natural. O respeito no manuseio da matéria-prima é percebido na utilização de 80% da mesma no seu mais nobre estado natural, sem tingimento, valorizando as suas próprias nuances. 
O resultado é uma variedade de “cores da floresta“ - o mesmo acontece nas texturas, que misturadas entre si (lã, seda, e fibras vegetais como a exclusiva seda de bananeira), resultam na volumetria dos designs. Assim como as peles naturais de tigres, esses tapetes mudam de tonalidade e brilho de acordo com a incidência de luz.
“O domínio das técnicas antigas, a criatividade e a sabedoria da tecelagem do oriente conseguem interpretar as exigências do design brasileiro, executando com maestria a produção dos tapetes da coleção, analisa a arquiteta Francesca Alzati.
As estampas são tão ricas e variadas quanto a história da origem dos tapetes. Há desenhos de peles naturais, com listras abstratas ou onduladas, da espinha vertebral ou do esqueleto do tigre, da sua cabeça e do seu corpo. Com uma leitura de tigre na sua autenticidade e abstração.

Centenas de tapetes, milhares de histórias
Os tapetes Tibetanos eram de grande importância para aquele país. As abstrações tinham considerável simbolismo esotérico, passando por crenças, superstições, cultura e história. Na prática, eram usados para meditação, sutras, yoga e também na decoração, devido ao impacto que as figuras dos tigres transmitiam. 
Os tapetes com desenhos de tigres significavam bom agouro na passagem de ano, denotavam grande grau de liberdade e proteção ou descreviam os cinco elementos – terra, madeira, fogo, água e metal.
Os desenhos surgiram no Tibete no século VII, onde reinavam 33 reis. Como não foram produzidos em série e nem todos são da mesma época, é praticamente inviável deduzir a data correta de cada um dos modelos. Alguns foram feitos por exímios tapeceiros que recebiam encomendas de reis e homens da lei e outros eram confeccionados por cidadãos para serem doados para os monges como gratidão ou promessas. Os próprios monges também confeccionavam os tapetes.
Influências
Tanto os chineses quanto os indianos influenciaram os tapetes Tibetanos. Os chineses emprestaram o design de tigres realísticos e, os indianos, suas doutrinas tântricas. A influência dos chineses pode ser percebida tanto no desenho quanto nas bordas. A interferência indiana está baseada no fato de que as peles de tigres eram usadas para meditação do budismo tântrico e quando estas se tornaram escassas, tecer o desenho do animal era a alternativa viável. Como a explicação parece plausível, o design de peles foi associado logo aos tigres vivos e o desenvolvimento das peças abrangeu uma enorme variação de modelos.
As listras e o rosto dos tigres são estilizados conforme a mística Tibeteana das bestas Wind-Horse (cavalo de vento), Snow-lion (leão de neve) e dragão. Para a mística Tibeteana estas bestas não são monstros e sim lendas. São criaturas benevolentes usadas como talismã para boa sorte nas bandeiras de oração do budismo. ___________________________________________________

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