9 de junho de 2011

"Cadernos de Viagem" de Alex Cerveny


A galeria Casa Triângulo, em São Paulo, apresenta, de 11 de Junho a 08 de Julho de 2011, a quarta mostra individual do artista plástico Alex Cerveny. Serão exibidas cerca de 60 obras, de diferentes formatos, épocas e meios. 
Leia abaixo texto de Alex Cerveny sobre "as obras apresentadas  na exposição que provêm de cadernos de anotações de viagens. Alguns, feitos in situ. Outros, elaborados depois do retorno, a partir de memórias que ficaram latentes".

"Histórias extraordinárias

Em 1784, em Bendegó, um povoado do sertão da Bahia, um garoto chamado Domingos da Mota Botelho descobriu uma pedra muito diferente das outras da região. Avisou seu pai, que, por sua vez, avisou as autoridades coloniais. A primeira tentativa de removê-la de lá fracassou. Graças a seu peso incomum, a pedra escapou do transporte - e da fundição, que provavelmente seria seu destino na época. 
A história correu e, anos depois, amostras recolhidas pelos pesquisadores aventureiros Spix e Martius confirmaram que a pedra era mesmo estranha. Era um meteorito, que tornou-se objeto de grande interesse científico. Por decisão do imperador Dom Pedro II, o meteorito de Bendegó foi arrancado do sertão, numa operação de grande envergadura, que mobilizou engenheiros, juntas de bois, trens e navios durante meses. Enfim, a pedra de Bendegó chegou ao Rio e foi exposta ao público no antigo Museu Nacional, ainda no Campo de Santana, em 1888. Uma grande notícia: na época, era o segundo maior meteorito já encontrado no mundo. 
No museu, que hoje se encontra na Quinta da Boa Vista, suas cinco toneladas de insólito metal continuam recepcionando os visitantes. E foi lá que, há poucos anos, tive a grata surpresa de conhecer esse impressionante meteorito, hoje apenas uma curiosidade a mais na lista dos astrólitos mais importantes do planeta. 
Essa pedra e sua odisseia marcada por acasos e tropeços impregnaram-se em minha memória, e estão na pintura "Bendegó" (2011, o/s/t, 35 x 55), lugar onde nunca estive, ponto de partida e de chegada da exposição Cadernos de Viagem. 
A maior parte das obras apresentadas provêm de cadernos de anotações de viagens. Alguns, feitos in situ. Outros, elaborados depois do retorno, a partir de memórias que ficaram latentes. São frutos principalmente de uma recente jornada sentimental à Argentina; de uma expedição para mapeamento de geóglifos em Nasca (Peru); de turismo curioso na Lícia (região arqui-histórica da atual Turquia), na Jordânia, no Egito e em Israel; das dez semanas de residência em Viena, no ano passado. 
Bendegó, riscando o céu do sertão, é apenas uma das histórias contadas nesta exposição. Cada um dos desenhos e pinturas presentes contam outra, de outras pedras, de diferentes categorias, das que habitam minha superficie mental. 
Alex Cerveny, maio 2011"

Casa Triângulo
Rua Paes de Araújo 77
São Paulo  04531-090  Brasil
Tel. 55 11 3167 5621
Fax. 55 11 3168 1640 
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