25 de agosto de 2011

Gerenciamento de projetos e inovações tecnológicas são saídas para evasão de profissionais na área de construção civil


Próximo do esgotamento de mão de obra, mercado brasileiro começa a investir em novidades para suprir crescente demanda.
“O Brasil continua utilizando métodos muito tradicionais. Ainda se constroem prédios arranha-céus assentando tijolo por tijolo ou com o uso de escoras de eucalipto”,  arquiteta Renata Marques
Segundo o Sindicato de Habitação (SECOVI), o mercado da construção nunca esteve tão aquecido. Somente na região metropolitana de São Paulo, foram lançadas 67,8 mil unidades residenciais no ano de 2010, o que representa um aumento de 26,7 % em relação a 2009.
Apesar do bom momento econômico, a área de arquitetura e construção civil vem sofrendo com a falta de mão de obra especializada e com os exíguos prazos para a conclusão e execução de obras.
Para contornar a situação e manter o cronograma de lançamentos e entregas de empreendimentos, as incorporadoras têm acreditado na aplicação de inovações tecnológicas para os sistemas construtivos.
Além disso, também contam com o trabalho dos gerenciadores de projetos, profissionais que são responsáveis por coordenar as equipes de projetistas de todas as disciplinas envolvidas no desenvolvimento do empreendimento, abrangendo inclusive a compatibilização das plantas, o que dá unidade e identifica possíveis pontos de conflito na obra.
Segundo a arquiteta Renata Marques, o segmento de construção civil está saturado e sem possibilidade de atender à crescente demanda. Se considerarmos o nível de tecnologia empregada na execução dos empreendimentos, percebe-se que o setor está atrasado se comparado a outros segmentos da economia. “O Brasil continua utilizando métodos muito tradicionais. Ainda se constroem prédios arranha-céus assentando tijolo por tijolo ou com o uso de escoras de eucalipto”, explica a profissional especializada em gerenciamento de projetos e considerada pioneira nesta disciplina. 
Com larga experiência em empreendimentos que romperam barreiras no segmento de construção, Renata Marques assegura que inovações tecnológicas podem gerar tanto agilidade na construção, assim como obras mais limpas e sem riscos.
O fato é que o mercado da construção civil precisa buscar caminhos alternativos para o problema da escassez de mão-de-obra qualificada e a solução deste problema passar por encontrar soluções que permitam maiores índices de produtividade para execução dos serviços necessários à construção de edifícios de forma geral.
O uso de tecnologias como banheiros prontos, fachada pré-moldada e estrutura metálica são exemplos de soluções que partem da premissa de pré-fabricação fora do canteiro de obras de elementos extremamente importantes na construção de edifícios, todas elas já implementadas por esta profissional.
No entanto podemos destacar o uso de outras soluções que geram grande melhora nos índices de produtividade nos canteiros, dentre as quais: estruturas em paredes de concreto, dry-wall, sistemas de fachadas de vidro unitizados, entre outras, todas estas com grande disseminação no mercado atual.
A arquiteta também chama a atenção para a crescente importância da consultoria do gerenciador de projetos no período de obras. Muitas vezes, com base na análise das técnicas de construção envolvidas, esse profissional consegue aplicar alterações no cronograma de execução e nos métodos de construção empregados, o que gera otimização dos prazos e evita o retrabalho. “A consultoria do gerenciador de projetos é fundamental para estabelecer um bom padrão de projetos, condição essencial para fundamentar o trabalho de orçamento, planejamento e execução”, explica Flávio Rios Vieira Lino, diretor de construção da Tishman Speyer.
Entre as diversas inovações implantadas está a padronização das diretrizes de projeto. Muitas construtoras têm buscado soluções práticas e fáceis de serem executadas em projetos e obras repetidas vezes, como uma alternativa para atender à demanda por novos empreendimentos sem prejudicar a qualidade dos imóveis.
“A padronização de alguns sistemas gera maior autonomia para a equipe de obras, a pessoa que vai receber o projeto entende facilmente que aquela é a solução e já sabe exatamente como executar”, explica Renata.
Outro fator que endossa esse padrão é o aumento no número de imóveis voltados para as classes C e D. “A tendência das construtoras é se voltar para uma padronização, ou seja, desenvolver um único produto, que não tenha muita interferência ou muitas interfaces, e implantá-lo diversas vezes nas mais diferentes localidades. Neste tipo de construção é ainda mais importante a atuação do gerenciador de projetos, já que o controle dos custos é essencial para não desvirtuar a relação custo-benefício”, analisa Renata.
Em contrapartida as empresas que buscam desenvolver empreendimentos diferenciados e com caráter de exclusividade necessitam forte interação entre os projetistas de diversas disciplinas e o papel do gerenciador é fundamental para que as discussões técnicas e gestão dos projetos atinjam os padrões elevados destes produtos.
Segundo Flávio Lino, ainda hoje existem poucas pessoas que têm a visão global de um projeto, que tenham acompanhado todas as suas etapas. “Por isso a importância de um gerenciador, que faça essa união e entenda um pouco de tudo: de fundação, do projeto estrutural, ou seja, ter um entendimento geral do que acontece em obra é primordial e pode fazer a diferença para o sucesso e qualidade dos empreendimentos”, conclui o diretor de construção da Tishman Speyer.


Sobre Renata Marques 
Pioneira no segmento de gerenciamento de projetos, a arquiteta atua desde o início de sua vida profissional exercendo a função para grandes incorporadoras. E agora, através do trabalho do escritório que leva seu nome, Renata expande seus domínios para a área de desenho e desenvolvimento de projetos.
Foto: Gabriela Quinália.
www.renatamarques.com.br
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