31 de outubro de 2011

Dia D: do poeta do rigor, de obras primas, Carlos Drummond de Andrade


A partir de hoje, dia 31 de outubro é o DIA D, Dia de Drummond tanto no Brasil como em Portugal. Carlos Drummond de Andrade nasceu há 109 anos, em Minas Gerais.  Em sete cidades brasileiras e em Lisboa, 
o Dia D lembra a obra do poeta.
O poeta trabalha com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva: "Itabira é apenas uma fotografia na parede. 
Mas como dói!"


Carlos Drummond de Andrade

(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na 

vossa testa,
                             retrato.                  
Veja +
(...) E de tudo fica um pouco.  
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)


Nome: 
Carlos Drummond
de Andrade
Nascimento:
31/10/1902
Natural:
Itabira - MGMorte:
17/08/1987
"Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!"
Carlos Drummond de Andrade
* Do livro SENTIMENTO DO MUNDO.

Sobre Drummond,  do site Projetos Releituras 
"O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de DrummondAlguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.
Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. Em Sentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.
Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado 
diversos livros em prosa.
___________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário