19 de outubro de 2011

Notícias da Flip: os encontros de negócios na Feira de Frankfurt



Em vez de crianças em excursão escolar e famílias dando uma voltinha letrada, em Frankfurt são os tipos de terno e pastinha de executivo que se multiplicam pelos pavilhões. A Feira é um evento de negócios para gente de negócios.


Editores, agentes literários, políticos e jornalistas circulam pela Feira alemã.


Há quem confunda a Feira de Frankfurt com uma espécie de Bienal do Livro internacional, diferente das feiras realizadas no Brasil apenas pela escala. E uma olhada rápida no evento realizado semana passada na Alemanha poderia confirmar o engano – lá estavam os estandes de editoras com as recepcionistas de sorriso a postos, as multidões de visitantes hiperativos e o persistente ruído de fundo que parece dizer “é proibido relaxar”.
Mas se há uma semelhança no tom, e até na intenção mais geral de fazer girar a roda da indústria, a diferença fundamental fica evidente na ausência dos inconfundíveis visitantes a passeio que lotam as feiras do livro no Rio, São Paulo ou qualquer cidade do mundo.
Em vez de crianças em excursão escolar e famílias dando uma voltinha letrada, em Frankfurt são os tipos de terno e pastinha de executivo que se multiplicam pelos pavilhões. A Feira é um evento de negócios para gente de negócios, no qual o público geral entra apenas no fim de semana, o que torna ainda mais espantosa a quantidade de gente que circula por lá. Editores, agentes literários, políticos e jornalistas do mundo inteiro – todos igualmente apressados -, além de escritores que fazem palestras assistidas por quem está com tempo livre entre um encontro e outro.
Nesse ambiente, em que para muitos as reuniões se sucedem sem intervalo, com negociações pela compra de títulos que custam de uns poucos milhares a uns poucos milhões, o representante de um festival literário não chega a ser o interlocutor mais aguardado por ninguém. O retorno que um convite à Flip pode oferecer – prestígio, contato com os leitores e interesse da imprensa – é indireto e muito menos certo do que o dinheiro desembolsado pelos editores na mesa de negociação. 
Dificilmente, além disso, haverá algum acordo a ser fechado ali. Apesar da influência que alguns agentes possam ter sobre seus clientes, e embora uma recomendação feita com entusiasmo sem dúvida possa ajudar muito, no fim das contas o “sim” continuará dependendo mesmo da vontade do escritor.
Tudo isso, no entanto, tem o lado bom de tornar as conversas menos tensas e mais amistosas. Além dos autores convidados, os agentes falam de outros nomes que estão negociando com editores brasileiros, ocasionalmente se queixam da dificuldade para vender um ou outro livro. Muitos querem vir eles mesmos à Flip – a negócios ou a passeio -, todos já ouviram falar da festa. Se estivéssemos organizando um festival de agentes literários, não seria difícil voltar de Frankfurt com uma lista de convidados confirmados para as próximas dez edições.
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