14 de outubro de 2011

Yuri Firmeza "Este lado para cima" na Casa Triângulo

A fragilidade é o mote conceitual que norteia os trabalhos apresentados na primeira exposição individual de Yuri Firmeza na Casa Triângulo, no caso a fragilidade como potência política e como condição inventiva inerente à arte, ao corpo e à vida.  




ESTE LADO PARA CIMA apresenta a vida vivida no limite, o limite como sua própria potência.
     

De 15 de outubro à 12 de novembro de 2011, a Casa Triângulo apresenta a exposição individual do artista Yuri Firmeza, intitulada "Este lado para cima".


Como indica o título da exposição - ESTE LADO PARA CIMA - a fragilidade é o mote conceitual que norteia os trabalhos apresentados na primeira exposição individual de Yuri Firmeza, na Galeria Casa Triângulo, em São Paulo. No entanto, a fragilidade, neste caso, distancia-se de sua definição costumeira, óbvia e enfraquecida - do frágil como sinônimo do que é pouco durável, do que não tem saúde, força e vigor. Ao contrário de tais definições patologizadas e patologizantes os trabalhos apresentados na exposição tratam a fragilidade como potência política e como condição inventiva inerente à arte, ao corpo e à vida. 
 Dessa forma, é imprescindível não apenas atuar nestas zonas de vulnerabilidade, riscos e contágios como também criar tais zonas a partir dos gestos produzidos e inscritos no mundo e nos corpos através de trabalhos como os apresentados nesta exposição. É o caso, por exemplo, do trabalho inédito Forte e Grande é Você (2011). Este trabalho consiste em uma pequena caixa de música que apresenta, em uma de suas faces, uma fotografia de Firmeza quando criança, vestido com uma roupa camuflada do exército e uma dentadura de vampiro em sua boca. Na lateral da pequena caixa há uma manivela que, através do manuseio do público, aciona o trecho de uma música da banda punk Cólera. O trecho repete-se em loop e o seu volume varia de acordo com a velocidade em que a manivela é girada, repetindo incessantemente - e de forma quase sussurrada - o grito: Forte e grande é você, forte e grande é você, forte e grande é você... 
A delicadeza e aparente impotência da caixa de música e da foto da pequena criança tornam-se conflituosas a partir do momento que percebemos a vestimenta militar e vampiresca da criança e ouvimos, ainda que como uma canção de ninar, o punk rock esgarçado de uma da primeiras bandas punks do Brasil.



Esta aparente impotência sendo desconcertantemente elevada à enésima potência está presente também na videoinstalação, também inédita, Vida da minha Vida (2011).
Trabalho realizado a partir de imagens de arquivo pessoal e imagens que o artista vem capturando a alguns anos de uma senhora, dona Jucineide, que tem Alzheimer. A senhora, ao longo das filmagens, foi gradualmente perdendo a memória recente e atenuando as lembranças de sua infância. A vídeoinstalação é apresentada em três projeções onde, por vezes, vemos o corpo frágil da senhora de 88 anos boiar em uma das telas e se contrapor as imagens de ondas rebentando contra os paredões de pedra nas outras duas telas com o áudio atenuando esta imagem violenta. Noutros momentos, o mar revolto - que arremessa o espectador da vídeoinstalação a uma sensação de turbulência - dá lugar a três projeções subaquáticas onde a câmera tateia o corpo frágil - e marcado pelo tempo - da senhora. O espectador - imerso neste ambiente, em pé, sentado ou deitado em puffs no interior da sala - experimenta este mergulho do corpo que varia desde a agressividade das ondas turbulentas até a amenização da força do mar. 

   
Sobre Yuri Firmeza ( 1982, São Paulo, Brasil)
Mestre em Artes Visuais pela ECA/USP, com bolsa de pesquisa Fapesp. Participou das exposições: Laços do Olhar, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo [2008]; 7º Festival de Performance de Cali, Colômbia [2008], Nano Stockholm, Galeria Artist Space, Suécia [2009]; Confrontações Poéticas, CCBNB [2007]; Rumos Artes Visuais [2006]; Selecionado pelo projeto Bolsa Pampulha 2007_2008, premiado na terceira edição do prêmio Marcantonio Vilaça SESI/CNI e no Marcantônio Vilaça Funarte [2009]. Tem textos publicados em diversos livros, jornais, catálogos e revistas. Publicou os livros Ecdise [2008], Souzousareta Geijutsuka [2007] e Relações [2006].
 Serviço
www.casatriangulo.com.br
Abertura: 15 de outubro das 12 às 17 horas
Mostra: de 18 de outubro a 12 de novembro de 2011
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