23 de novembro de 2011

Diálogos Criativos discutiu design na indústria e identidade nacional



O evento reuniu o arquiteto e designer gráfico Carlos Perrone, o estilista Ronaldo Fraga e o designer Marcelo Rosenbaum em Pomerode no dia 19. Após a apresentação de cada convidado, eles participaram de uma sabatina com o público e falaram sobre cultura brasileira e identidade própria. 

 Realizado pelo Orbitato – Instituto de Estudos em Arquitetura, Moda e Design, Diálogos Criativos reuniu cerca de 200 pessoas, dentre elas, industriais, estúdios de design, fotógrafos, escritórios de arquitetura, entre outros.
Celaine Refosco, diretora do Orbitato, abriu o encontro falando da importância em se discutir o papel e a influência do Brasil atualmente no mundo. O país está sendo “descoberto” tanto pelos outros como pelos próprios habitantes, o que traz outras questões, como o desenvolvimento sustentável e a educação. Sobre o trabalho do Orbitato, bem como dos convidados, Refosco reflete sobre a urgência de se repensar a educação para que esta seja não apenas transformadora, mas encorajadora e que faça com que as pessoas enxerguem com mais clareza suas potencialidades.
Com isto, Carlos Perrone (foto à direita)  iniciou  sua palestra “Design: portas por-onde”, em que apresentou a indústria algo intrínseco ao design, que é, essencialmente, pensado para a multiplicação.  "A fábrica não é mais virtuosa que o estúdio. Não há morada única para a virtude”, disse Perrone, ao explicar que o atelier do criador é importante como “vitrine”, um local para o exercício da criação, mas que o processo industrial é crucial.
Outro ponto-chave foi a discussão sobre cotidiano e criações a partir de uma identidade nacional. O professor chama a atenção para xenofobismos como a negação de culturas externas. “Muitas vezes, o jeito que nos vendem a nós mesmos é ardiloso, caricato e falso”, alertou, mas que “o que devemos recusar não são suas culturas, mas a imagem que eles querem ter da nossa”, citando a crítica literária, Leyla Moisés.
Após o intervalo, Ronaldo Fraga (à esquerda), estilista, deu continuidade ao evento mostrando aos convidados um pouco de seu processo criativo e falou sobre inspiração. “Inspiração é enxergar no insuspeito algo que nos dê a leitura do que falta”, declarou. Refletindo sobre as mudanças dos últimos 60 anos, Ronaldo atenta para o fato de estarmos há trinta anos na era da informação, em que o valor do produto está mais no que ele representa do que no que ele realmente é.
Marcelo Rosenbaum, criativo do quadro Lar Doce Lar, do programa da Rede Globo Caldeirão do Huck, focou em trabalhos desenvolvidos junto a comunidades carentes e na importância de se estimular o que as pessoas têm de conhecimento, fortalecendo a ideia de coletivo e melhorando a vida de todos. Com projetos que geram emprego e renda nos locais em que intervêm, Rosenbaum prefere se definir como um articulador
Ao falar de Identidade e Cotidiano, tema desta terceira edição de Diálogos Criativos, Carlos Perrone observou que “se olharmos para nossas memórias afetivas, encontraremos o Brasil” com composições diferentes, mas uma mesma base. Ronaldo Fraga explora isto ao contar histórias em suas coleções que partem de interesses e curiosidades próprias. Rosenbaum, ao visitar e pesquisar processos e conhecimentos pelo Brasil, descobre novos materiais e estéticas.
Esses processos de auto-conhecimento e pesquisa levam, inexoravelmente, à inovação, o que faz com que o design seja uma peça-chave na indústria atualmente, como observou Rosenbaum ao comentar a história da indústria catarinense, que inicialmente era executora e que agora está se reinventando. Para Perrone, "design é indústria, empresa, economia, tecnologia e desenvolvimento sócio-cultural", coisas indissociáveis no mundo atual.
Para a organização do evento, este encontro foi fundamental para discutir formas de criar e integrar indústria, artesanato e autoralidade. “Estamos em um momento onde o mundo está cansado. E o Brasil tem uma vitalidade, um frescor e uma leveza que faz com que todo mundo se encante, e todo mundo quer ser encantado, o mercado quer se renovar. E para se renovar precisa de dedicação, de força vital, o que a gente tem, só precisa transformar essa força vital em um produto que responda a necessidade do mercado com sua autenticidade. Acho que isso faz falta no mercado e isso os catarinenses podem ter. Essas duas pessoas [Ronaldo e Marcelo] fazem isso nas suas carreiras muito bem e o fato de eles usarem a indústria como editora é uma coisa muito inteligente.”, diz Celaine Refosco.
__________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário