16 de novembro de 2011

O fantástico Mundo Ovo de Eli Heil

Esta foi uma das primeiras matérias do Artetecta. Vou repetir porque vejo que é uma página bastante acessada e porque vale a pena...
Artista catarinense, autodidata, é  pintora, desenhista, escultora, ceramista e sua obra já foi classificada como "Arte Incomum".


Conheci o Mundo Ovo de Eli Heil pela internet e gostei tanto que resolvi dividir com vocês. Para quem já conhece, sempre vale a pena ver de novo... Eli Malvina Heil, uma artista catarinense autodidata, múltipla, que criou um incrível Mundo Ovo, seu museu particular que contém seu acervo de pinturas, esculturas, cerâmicas, tapeçarias e desenhos. Artes todas a que se dedica. Premiada, tem obras expostas em várias partes do mundo.

“O Mundo Ovo surgiu quando houve a explosão do meu cérebro, juntamente com a explosão do meu ovário. Pluf, pluf, pluf, já nasci, já nasci, já nasci. Ovo, óvulo, ovário”. 

Sobre a artista


Eli Malvina Heil nasceu em 1929, na cidade de Palhoça, Santa Catarina. Viveu sua infância e juventude no município vizinho de Santo Amaro da Imperatriz, tornando-se professora de educação física. Mudou-se para Florianópolis, onde lecionou em um colégio da capital, antes de dedicar-se integralmente à atividade artística. 


Pintora, desenhista, escultora e ceramista autodidata, participou de inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Realizou um trabalho único, de difícil classificação, que na XVI Bienal Internacional de São Paulo foi catalogado como “Arte Incomum” (Art Brut). 

Em seu processo de criação utilizou os mais diversos materiais (saltos de sapato (como acima), tubos de tinta, canos de PVC, etc.) e inventou inúmeras técnicas. 

“A arte para mim é a expulsão dos seres contidos, doloridos, em grandes quantidades, num parto colorido”. 
 
A baixo,alguns textos críticos  sobre a obra de Eli Heil.





 difícil definir a obra de Eli Heil. As definições representam um limite e uma racionalização de idéias que se contrapõem frontalmente ao princípio gerador da sua obra, por si ilimitada, explosiva, delirante. Termos como: “arte ínsita”, “expressionista” e “surrealista” vêm sendo empregados para classificá-la. A verdade é, porém, que os trabalhos de Eli Heil são para serem sentidos e não para serem definidos. Diante deles somos envolvidos por formas que vibram, cores que transbordam, mágicas criaturas - suas personagens - que saem dos limites da materialidade para gesticularem ou virem até nós."
Adalice Araújo 



"Dona duma sensibilidade agudíssima, duma inventividade sem limites, a artista catarinense criou um verdadeiro universo indissolúvel, no qual a presença das obras de ontem é condição indispensável para a criação de hoje e de amanhã. Não quer isso dizer que Eli Heil busque na produção precedente estímulos, estilemas, fórmulas. Ao contrário, recusa-se a fazer o que já fez, uma vez que para ela o trabalho artístico é um contínuo “renascer”, é um “abrigo das maravilhas” que não se podem repetir, sob pena de perder seu encanto."
Annateresa Fabris 



"Eli Heil pinta tudo o que a rodeia com uma prodigiosa paleta visionária. Sem saber, ela é uma pequena irmã dos grandes expressionistas alemães Marc, Kirchner, Macke e pequena irmã, também, pela paixão da cor e as formas torturadas dos seres e das coisas, de Vincent Van Gogh."
Corneille G. B. 

"Como autodidata, sem qualquer formação teórica, a força da artista é puramente instintiva. Colorista excepcional, com um sentido compositivo surpreendente, pode-se tranqüilamente usar a palavra fenômeno, com relação a Eli Heil, como se pode falar em fenômeno a propósito de Jheronimus Bosch."
Harry Laus 



"A poesia mora e comemora em suas obras."
Lindolf Bell 



"Sendo todo o seu trabalho em arte uma forma de conjurar fortíssimas pressões mentais a que está submetida, observa-se nele a presença freqüente de estruturas mandálicas e o recurso à animização do inanimado (o casario se transforma em gente, janelas - olhos nos fixando), além de uma característica fauna fantástica acompanhando esses rostos extremamente intensos em cor, espanto e tensão. É curioso observar ainda, na evolução do desenho e da pintura de Eli Heil, a obediência intuitiva ao rumo de superação do plano pelo espaço tridimencional, inclusive como meio de atenuar a violência alucinatória das figuras que ela diz “saírem” do papel ou da tela, envolvendo-a no ato de criar. Assim, após os primeiros trabalhos em superfície inteiramente bidimencional, as pinturas vieram adquirindo relevo no manejo de sulcos na tinta, até chegar ao acréscimo mais recente de bonecos de enchimento aplicados sobre o plano trabalho da tela; nesse caminho, suas peças mais elaboradas são as tapeçarias-objetos atuais, onde continua preservando a deformação ingênuo-espressionista nas máscaras de alucinação violentamente coloridas, como registro direto do inconsciente fluindo."
Roberto Pontual 
Serviço
No dia 21 de agosto de 1993, foi instituída, em reunião de família, a Fundação “O Mundo Ovo de Eli Heil”, com o objetivo de preservar e divulgar a obra da artista. 
Museu “O Mundo Ovo de Eli Heil”
Rodovia SC 401 - Km 7 - nº 7079 
Santo Antônio de Lisboa - Florianópolis - SC
88.050-000 
Telefone:
(48)3235-1076 - (48)3235-1076 
E-mail:
mundoovo@eliheil.org.br
http://www.eliheil.org.br/
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