28 de junho de 2012

Como fazer um projeto sustentável e viável? Esta e outras respostas nos conselhos de um arquiteto experiente


O evento Arquitetura por Arquitetos que inaugurou as celebrações dos 15 anos da AsBEA-PR (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura/Paraná) teve um dos fundadores da AsBEA nacional, Alberto Botti, arquiteto paulista com vasta experiência, falando para uma plateia atenta na noite de 20 de junho, na Flexiv, em Curitiba (PR).

           
Alberto Botti conversa com arquitetos
 em evento com plateia lotada (Foto Gerson Lima)

        Alberto Botti, arquiteto paulista com vasta experiência, falou para uma plateia atenta na noite de 20 de junho, na Flexiv, em Curitiba (PR). O evento Arquitetura por Arquitetos inaugurou também as celebrações dos 15 anos da AsBEA-PR (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura/Paraná), cuja entidade nacional teve Botti como um dos fundadores. O arquiteto mostrou quatro projetos de edifícios com foco na sustentabilidade e também respondeu as perguntas da plateia. Acompanhe os melhores momentos:

-      Como fazer um projeto sustentável e viável? “É preciso respeitar o entorno e, quando a natureza não existe, é possível criá-la dentro dos prédios. No projeto do Pátio Malzoni (São Paulo), que ocupa uma quadra inteira na Faria Lima, havia uma casa bandeirista tombada, no meio do terreno. Foi preciso criar uma área de preservação em torno dela. Elaboramos então uma proposta que não compete com a casa através do uso do vidro (de controle solar), que a reflete. A casa fica embaixo de um pórtico gigante, o que permite a sua visualização”.

-      Uso do vidro é uma constância em seus projetos: “o vidro oferece mais alternativas, mas é preciso atentar para o problema energético (iluminação, calor/uso de ar condicionado e fachadas). Também acredito em três utilizações do vidro: 1. Aquele que não aparece 2. O que aparece pouco 3. O que se destaca. É muito interessante quando ele reflete a natureza a sua volta”.

-      Projeto Laboratórios Roche: “para não derrubar nenhuma árvore, criou-se o prédio em cima do campinho de futebol já existente. O prédio é cercado de verde e ainda há um jardim interno que conversa com o entorno. Aqui, o vidro foi utilizado na fachada, inclinado, para não ter ofuscamento. A ideia foi usar a reflexão do verde; é possível desvendar o prédio através do verde, ele funde-se com a natureza. No subsolo aberto está a garagem”.

-      O uso do verde: “Em um de nossos projetos, tínhamos uma grande área verde protegida e uma inclinação considerável. Então aproveitamos o declive para construir a garagem e em pavimentos recuados e terraços com plantas inserimos o conceito de área verde”. Em outro projeto, um andar foi feito diferente do outro, com espaço verde para caminhar e muitas coberturas verdes. “Para provocar a circulação natural, abriu-se uma chaminé. Então não é preciso utilizar ar-condicionado no térreo. O uso do vidro aqui também permite a entrada de luz e deixa o ambiente mais agradável; ninguém gosta de se sentir preso”.
-      Valor de um projeto: “Se depender do cliente, ele quer um cubo de massa bem baratinho. O valor locacional de um edifício comercial é um parâmetro para o argumento final do projeto com o cliente: o projeto tem que ser vendido e ele precisa dar rentabilidade, valorizar o terreno”.
-      Arquitetura internacional: “Tenho muitas restrições com a arquitetura internacional. Alguns exemplos: prédios em Dubai, projetos até mesmo de Frank Gehry e Zaha Hadid, que são na verdade esculturas. Para que serve um projeto? Para abrigar o homem da melhor forma possível, e estes projetos não abrigam. Visitei um projeto de Zaha em Roma onde 80% do espaço não era aproveitado. Não entendo arquitetura que não tem um objetivo claro”.
-      Sustentabilidade é modismo? “A sustentabilidade veio para ficar, é uma questão mundial. Certificados como LEED (Leaership in Energy and Environmental Design) podem até mudar (e estão mudando), mas o conceito de sustentabilidade é absoluto e a arquitetura faz parte desta demanda mundial. O preservacionismo era um obstáculo, mas virou um degrau. Considerar o componente ambiental em uma obra deixou de ser uma questão conceitual e ideológica e passou a ser uma exigência de mercado. O grande desafio é equilibrar a preservação ambiental com a viabilidade técnico-financeira. A preocupação com a otimização de recursos e a integração com o entorno são fundamentais no resultado final”.

Sobre Alberto Botti
        Botti formou-se em 1954 na Faculdade de Arquitetura Mackenzie. Já em 1955 inaugurou o “Botti Rubin Arquitetos Associados”, em parceria com Marc Rubin. Seus projetos são marcados pela visão modernista. Foi presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil e da Empresa Municipal de Urbanização de São Paulo e um dos fundadores da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura, da qual foi o primeiro presidente.


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