23 de julho de 2012

‘Tropicalização de projetos’ permite que arquitetura internacional ganhe espaço no mercado brasileiro


Escritórios e consultores locais oferecem parceria para adequação de projetos concebidos por profissionais estrangeiros.
“Os diferentes hábitos da população exercem papel determinante para a definição das características dos imóveis de cada região do País:” Renata Marques

Com a baixa demanda do mercado de construção na Europa e Estados Unidos, os grandes escritórios de arquitetura internacionais buscam novos mercados, e o Brasil surge como uma excelente oportunidade. Tal situação vem ao encontro da carência de profissionais bem qualificados que o País enfrenta no setor. Aproveitando essa crescente demanda por arquitetos e engenheiros experientes, cada vez mais estrangeiros têm interesse na prestação de serviços para o setor da construção buscando parcerias com profissionais nacionais.
A crise internacional contribuiu em muito para que os investidores estrangeiros identificassem no mercado brasileiro uma opção de investimento, enquanto os profissionais vislumbram a oportunidade de expansão de carreira. Hoje podemos nos deparar com engenheiros residentes em obra cuja nacionalidade não necessariamente é brasileira, assim como encontramos arquitetos estrangeiros trabalhando em grandes escritórios nacionais. Assim como, existem grandes escritórios de arquitetura , fornecedores internacionais de diversas empresas e especialidades focados na viabilização de novos negócios no País.
Contudo, a adaptação de projetos à realidade brasileira não é tão simples. Uma vez que a concepção arquitetônica engloba diversos fatores como adequação à: legislação, normas técnicas, sistemas construtivos, linguagem técnica de projetos – empregada na representação e leitura de projetos, diretrizes técnicas de cada construtora, materiais disponíveis no mercado e fornecedores locais, entre outras peculiaridades que variam de região para região. Além, é claro, do processo para aprovação das plantas junto aos órgãos públicos locais, que conta com uma série de especificidades, que interferem diretamente no projeto.
Este cenário propicia a colaboração e parceria, cada vez mais intensa, entre escritórios de arquitetura internacionais e profissionais brasileiros que atuam na chamada ‘Tropicalização dos Projetos’, termo que sintetiza o serviço de consultoria ou desenvolvimento de projetos prestado pelos profissionais brasileiros para adaptação dos trabalhos concebidos internacionalmente aos padrões brasileiros. “É um trabalho inevitável. Por mais que o profissional estrangeiro esteja interado à cultura local, é fundamental a consultoria para garantir a adequação às normas técnicas e processos de aprovação locais”, explica a arquiteta paulista Renata Marques, cujo escritório recebe demanda de profissionais de fora do País interessados em estabelecer parceria para futuros projetos.
Outro aspecto importante a ser considerado pelos profissionais que pretendem atuar no mercado brasileiro é a forma como a cultura local influencia a concepção arquitetônica. O Brasil apresenta uma grande diversidade em relação às normas vigentes em cada região, assim como em relação à cultura, o que influencia as características do produto. “Os diferentes hábitos da população exercem papel determinante para a definição das características dos imóveis de cada região do País.”, explica Renata.
Para os profissionais que vêm de fora do País o choque cultural pode ser ainda maior. “Na China os empreendimentos normalmente não possuem áreas de lazer comuns. Os prédios costumam ter projetos de paisagismo lindíssimos, mas não há atividade social nesses locais. Um projeto neste estilo aqui no Brasil dificilmente vingaria, já que esses espaços estão cada vez mais valorizados pelos brasileiros”, diz a especialista.
Segundo a arquiteta, a vantagem que o profissional estrangeiro e as construtoras encontram ao se associarem a escritórios e consultores brasileiros está no suporte que pode ser oferecido em relação às normas técnicas, contatos de fornecedores e demais alterações que se façam necessárias, em termos de tecnologias e sistemas construtivos empregados. “Além de aspectos da própria cultura local, como o uso de termos específicos do setor, que facilitem o entendimento das soluções adotadas pela equipe de obras e demais profissionais envolvidos; adequações técnicas necessárias e especificações legais requeridas para a aprovação do projeto junto aos órgãos públicos locais”, esclarece.
A tropicalização de projetos garante ainda mais segurança e rapidez ao processo de concepção e aprovação, evitando também possíveis pontos de conflito entre o que foi previsto nas plantas e a realidade encontrada no canteiro de obras e exigências técnicas que precisam ser atendidas.


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