31 de março de 2013

O insustentável preconceito do ser!

Reproduzo aqui o belo texto da jornalista Rosana Jatobá. Uma reflexão para o dia da Páscoa. Do link abaixo: http://brasil.vamoscurtir.com.br/2013/03/o-insustentavel-preconceito-do-ser.html

Jornalista Rosana Jatobá

Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.
















Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:
- Recomendo um passeio pelo nosso "Central Park", disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem "farofa" no parque.
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar....
De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.

Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os "Paraíba", que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a "Cabeça chata", outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.

Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.

Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:
-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:
"O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor".
"É ofensivo", diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.

A expressão "pé na cozinha", para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.
O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:

"Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra 'niger' para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:
'Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe'...que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).

Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan 'black is beautiful'. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém".
Será que na era Obama vão inventar "Pé na Presidência", para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?

A origem social é outro fator que gera comentários tidos como "inofensivos" , mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:

- A minha "criadagem" não entra pelo elevador social !
E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, "viado", maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?

Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:
- Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
-Só podia ser loira!
Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
- Só podia ser judeu!

A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia ...
Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: "O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem". Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.

A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável. O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.

Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:
-Só podia ser mendigo!
No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:
-Só podia ser bandido!

Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.

PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos.

Rosana Jatobá - jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo

29 de março de 2013

Parabéns Curitiba!


Carlos Alberto Noviski traduziu bem todos os símbolos de Curitiba: tem de jacaré, pedalinhos, capivaras a Leminski, sem esquecer o petit pavê, mural de Poty, Jardim Botânico e muito mais que tão bem representam o cotidiano dessa nossa Curitiba nos seus 320 anos!





"Curitibanices": figuras que fazem Curitiba ser Curitiba.


Compartilhado do Blog Sacizento:

http://sacizento.bol.uol.com.br/blog/?p=6430

Figuras que fazem Curitiba ser Curitiba.



29

mar






"Tesão! hoje  é o dia em que se comemora os 320 anos de Curitiba. Uma cidade maravilhosa e cheia de “Curitibanices” uma cidade  cheia de gurias e de piás, tranquila e sossegada, a cidade do leite quente e do pinhão vendido na praça Osório, tranquila em partes, tirando a região do Centro Cívico que é a região mais perigosa da cidade, se é que você me entendeu… O resto é tesão nem te conto!
Mas falando de coisas boas, e é o que mais tem em Curitiba, estamos homenageando nossa cidade com essas figuras maravilhosas que são nossos artistas e que você só encontra aqui, nessa cidade, é uma simbiose maravilhosa Curitiba jamais existiria sem essas pessoas que lhes dão essa identidade a cada dia. Com vocês “Nós” essas figuras nossas de cada dia.
Quem não conhece o Nelson Rabelo? Não sabemos quantas pessoas conhecem o Nelson mas, o Oil Man todo mundo conhece, ele anda sem a peita, mesmo que esteja maior frio, só de sunga e com o corpo cheio de óleo. Curitiba só temos óleos para você!
Diz aí, nunca ouviu esta mulher gritando “Borboleta 13, corre hoje!” Sim o que seria da Rua XV sem a mulher da borboleta 13? Me conta piá!
E o som do Plá você já ouviu? O Cara arrebenta na Rua XV, pare um dia lá pra levar um papo com ele e esqueça a correria.
Quando anoitece é possível ver um risco azul e amarelo rasgando o  céu da cidade. Quando ele aparece vioando e as pessoas se perguntam:  É um passáro? É um avião? Você acerta na mosca! É um passáro sim.  Não é um avião, mas tem umas meninas que acham ele muito bonito, estamos falando do Gralha o Herói Curitibano.
E o Hélio Leites piá? esse é daqueles que tinha que tirar um xerox dele e colocar em várias cidades por aí,  o cara é fera, de um botão ele faz um carnaval, de uma batedeira velha uma bailarina! Nem precisa falar mais o cara é massa!
Efigênia Rolim, essa vovózinha é uma figura, ela é a Rainha do Papel e com a mesma agilidade que ela faz um passarinho de papel ele se joga no chão, salta, pula e rodopia! Não conheço ninguém que faça tudo isso com 80 anos de idade! Você jamais verá Efigênia com cara de tristeza, e muito menos nós curitibanos que temos a Efigênia.
O Palhaço da Rua XV, esse cara que fica seguindo os outros e imitando… Cara você algumas vezes enche o saco! Mas você já pensou o que seria da Rua XV sem o Palhaço? Ia ser mais ou menos como aqueles almoços de Domingo com frango e polenta e de repente alguém esqueceu de levar o frango, ou esqueceram de convidar aquele tio legal que faz todo o mundo rir!  Curitiba sem essas pessoas seria mais ou menos assim, tipo inverno sem pinhão e quentão,  sem graça. Obrigado

Artigo de Célio Pezza sobre a Páscoa e suas origens

"A data da comemoração cristã foi definida durante o Concílio de Nicéia, em 325 D.C., como sendo o primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio da Primavera. A Páscoa já existia bem antes de Cristo na tradição judaica e era chamada Pessach".
Deusa da Primavera Ostera, que é simbolizada segurando um ovo na sua mão e observando um coelho ao seu lado (imagem semanadogosto.blogspot.com )

*Por Célio Pezza
Neste dia 31 de abril de 2013 comemora-se a Páscoa em vários países. Aqui no Brasil a Páscoa está associada à ressurreição de Cristo, porém, se prestarmos atenção, veremos que a última ceia de Jesus com seus discípulos foi uma celebração da Páscoa, ou seja, ela já existia bem antes de sua morte e ressurreição. Portanto, estão enganados aqueles que acham que a origem da Páscoa é na ressurreição de Jesus. 
A data da comemoração cristã foi definida durante o Concílio de Nicéia, em 325 D.C., como sendo o primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio da Primavera. A Páscoa já existia bem antes de Cristo na tradição judaica e era chamada Pessach. Nesta data, os judeus comemoravam a fuga do Egito e a Pessach tinha o significado de libertação, ou seja, a passagem da escravidão para a liberdade, comandados por Moisés, conforme mostrado no livro do Êxodo. 
Na tradição judaica a célebre passagem pelo Mar Vermelho, onde as águas se abriram para dar passagem aos israelitas em fuga, passou a ser comemorada como a Páscoa, na primeira noite de lua cheia da Primavera. Na Páscoa judaica existem três elementos principais que são lembrados e passados de geração a geração, durante a ceia pascal: o simbolismo do cordeiro pascal, para lembrar o dia em que Deus feriu a todos os primogênitos egípcios e poupou aos israelitas que tinham marcado suas portas com sangue de cordeiro; os pães ázimos, para lembrar a falta de tempo para fermentar os pães na fuga do Egito; e as ervas amargas, para lembrar as amarguras e os sofrimentos durante o período de escravidão.
Voltando mais um pouco no tempo, vamos encontrar as festas pagãs dos gregos, romanos e celtas, onde era reverenciada a Deusa da Primavera Ostera, que é simbolizada segurando um ovo na sua mão e observando um coelho ao seu lado, sendo que o ovo simboliza o nascimento e o coelho a fertilidade. Esta festa era comemorada no equinócio da Primavera, quando a fertilidade da terra reinicia seu ciclo após o inverno. Ostera simboliza o renascimento da terra e seus rituais estão relacionados à fertilidade. Lembramos que o termo “pagão” vem do termo latino “paganus”, que significa “aquele que vive no campo”.
A Páscoa atualmente passou a ser mais uma festa comercial que intensifica o turismo devido aos feriados e o consumo de peixes e chocolates. Suas verdadeiras origens estão mais perdidas a cada ano que passa, mas existem muitos que veem nesta data a comemoração do impulso do ser humano para uma condição nova e cheia de esperanças, apesar de desconhecida. Uma verdadeira celebração da passagem do ser humano para outra realidade com muito mais conhecimento, paz e respeito pela vida. 


*Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Nova Terra - Recomeço. Saiba mais em www.celiopezza.com / Blog: http://celiopezza.com/wordpress/

**Artigos assinados são de responsabilidade de seus autores.

27 de março de 2013

De Farruquito e dança flamenca, Paralamas do Sucesso, a Ópera João e Maria no Guaira, eleito o Melhor Teatro pela Veja


Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto – Guairão



O espanhol Farruquito, o maior nome da dança flamenca da atualidade, vem ao Brasil para apresentar seu novo espetáculo “Abolengo”. Dia 10 de abril às 21 horas.

O próximo Concerto para Crianças, projeto da Orquestra Sinfônica do Paraná, traz como tema América do Norte e inclui no programa obras dos compositores Aaron Copland, Leonard Bernstein, George Gershwin e Navarro Arturo Márquez. A apresentação será dia 14 de abril às 10h30, sob a regência do maestro Osvaldo Ferreira, com participação do pianista Davi Sartori.



Trinta é o nome do projeto que a banda Paralamas do Sucesso preparou para comemorar seus 30 anos de carreira, contados a partir do lançamento do disco Cinema Mudo. A turnê chega a Curitiba no dia 11 de maio, sábado, às 21 horas.

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Auditório Salvador de Ferrante – Guairinha



Confira a programação da 22ª edição do Festival de Teatro de Curitiba agendada para os auditórios do Teatro Guaíra.



O grande humorista Ary Toledo apresenta em Curitiba, em abril, o Show comemorativo dos seus 51 anos de trabalho, dias 12 e 13 às 21 horas, e dia 14 às 19 horas.


Composta por Engelbert Humperdinck, baseada no célebre conto de fadas dos irmãos Grimm, "João e Maria" é o mais bem-sucedido exemplo de ópera com temática infantil. O espetáculo da Ditirambo Eventos Culturais será apresentado nos dias 18 e 19 de abril às 14h30 e 20 e 21 às 16 horas.

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Outras Notícias



O Teatro Guaíra foi eleito o “Melhor Teatro” pela Revista Veja Curitiba, edição especial do 320º aniversário de Curitiba.



O produtor deve inscrever seu espetáculo somente no site:www.teatroguaira.pr.gov.br através do preenchimento completo da ficha de inscrição.





www.teatroguaira.pr.gov.br
© 2011 - Centro Cultural Teatro Guaíra
Rua XV de Novembro 971 - Centro - 80060-000 - Curitiba - PR
41 3304-7900 / 3304-7999

Pansori, manifestação tradicional da cultura coreana no Festival de Teatro de Curitiba


Um Patrimônio da Humanidade na Mostra 2013: Pansori Brecht - Ukchuk-Ga será apresentado nos dias 28 e 29 de março no Teatro Positivo

 
O gênero nasceu na Coreia, no século 17, e foi consagrado pela Unesco como Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade em 2003. No palco, um cantor - chamado de "sorikkun" - e um percussionista assumem a tarefa de transpor, entre vibratos, batidas e gestos, uma narrativa musicada. É essa a definição do Pansori, manifestação tradicional da cultura coreana que chega aos palcos do Festival de Curitiba através do espetáculo Ukchuk-Ga.
Releitura da obra "Mãe Coragem", de Bertold Brecht, o espetáculo acompanha o desenrolar da história de uma inocente coreana, Sun-Jeong Kim (nome que significa “obediente”), que se transforma numa rancorosa mulher de negócios, mãe de três filhos, após ser abandonada pela família de seu marido por rumores de conduta imprópria. A atriz, Ja Ram Lee, assina o roteiro, as canções e interpreta sozinha as 15 personagens diferentes da montagem, fazendo juz ao grandioso sucesso da encenação na Coreia do Sul.
Parte da Mostra 2013, Pansori Brecht - Ukchuk-Ga será apresentado nos dias 28 e 29 de março no Teatro Positivo. Confira a página do espetáculo e garanta seus ingressos para a oportunidade única de presenciar tal fenômeno da cultura oriental. 
http://festivaldecuritiba.com.br/2013/espetaculos/ver/1520/Mostra_2013/Pansori/Pansori_Brecht_UKCHUK_GA

    Começa o Festival de Teatro de Curitiba


    22ª edição do evento traz um rico e diverso panorama das artes cênicas, com produções nacionais e internacionais. Muito há para se ver e curtir de 26 de março a 07 de abril, em vários espaços da cidade.

    Da Coréia: PANSORI BRECHT UKCHUK-GA

    "A Mostra 2013 reúne 32 espetáculos, dos quais oito fazem sua estréia nacional no evento. Os espetáculos selecionados representam o rico e diverso panorama atual das artes cênicas brasileiras e mostram o apagamento de fronteiras geográficas e de linguagens.
    A curadoria – formada por Celso Curi, Lucia Camargo e Tania Brandão – fiou sua busca na revelação dos limites da invenção textual e cênica. Dos clássicos aos transgressores, evidenciando novo talentos e celebrando os grandes nomes do teatro brasileiro, a 22ª edição do Festival de Teatro de Curitiba se apresenta". 
    Datas: 26 de março a 07 de abril
    Local: Consulte a programação
    Ingressos: R$60,00 e R$30,00

    http://festivaldecuritiba.com.br/2013/espetaculos/
    No  Teatro Ópera de Arame: O Homem Vertente

    A montagem brasileira do espetáculo da companhia argentina Ojalá é uma produção multi-sensorial, onde música, projeções, dança, performance, teatro se juntam e o espectador recebe um "bombardeio" de estímulos. A peça conta a viagem de um homem através de sua imaginação. Passando por baixo de muita água, ele deverá enfrentar desafios e atravessar mundos fantásticos repletos de criaturas e personagens alucinantes. Uma odisséia emocionante pelos caminhos da imaginação. Só no final descobriremos se foi encontrada a saída, e os espectadores serão a chave para chegar até ela.

    Nova proposta de Hugo França: "Em busca de mais árvores"


    REAPROVEITAMENTO DE RESÍDUOS LENHOSOS EM PROPRIEDADES PARTICULARES

    Designer converte troncos e raízes de árvores condenadas em peças utilitárias. Desta forma, evita-se que este material tão nobre seja descartado.
    O processo escultórico de produção valoriza a madeira bruta ao manter  suas formas orgânicas, linhas,  falhas e imperfeições naturais. A memória de cada árvore permanece, com suas particularidades formais, e é oferecida de volta ao convívio humano de maneira harmoniosa. 
    Saiba mais: http://www.hugofranca.com.br/novo_site/


    26 de março de 2013

    Atenção Google: É magazine!

    O blog foi configurado para ser visualizado no modelo Magazine, mas não sei porque - já tentei que alguém me respondesse e não consegui - sempre aparece no modelo Classic. Então protesto contra esta imposição do modelo Classic.
    Marise Heleine

    22 de março de 2013

    Arte urbana: exposição Utopiazada, coletiva de graffiti do Utopia Crew

    A Teix abre, em Curitiba, a primeira exposição sobre graffiti promovida pela galeria.

    Mostra reúne oito grafiteiros de Curitiba  integrantes do Utopia Crew, com diversas linguagens do graffiti.


    A Galeria Teix abre no dia 28 de março, às 19h, a exposição Utopiazada, que reúne oito grafiteiros de Curitiba, integrantes do Utopia Crew, movimento criado na cidade há 11 anos. É um presente da Teix para os 320 anos de Curitiba e será a primeira exposição sobre graffiti promovida pela Galeria.
    Em exposição, diversas linguagens do graffiti, considerado por estudiosos de vários países como a arte mais urbana de todas. Além da exposição, a Galeria fará nos dias 3, 4, 10 e 11 de abril oficinas de stencil com João Marcos, um dos expositores.
    Dentro da proposta da Utopizada, a Galeria Teix lançará 50 black books, um tipo de caderno usado pelos grafiteiros para reunir idéias e que serve de espaço para que outros artistas desenhem nas páginas. O black book é o acervo de ideias deles.
    Conceito – O nome Utopiazada nasceu da fusão das palavras utopia e piá (designação para menino, comum em toda a cidade). Utopia tem como significado mais comum a ideia de uma civilização ideal. Em 1516, Thomas More criou a palavra, fascinado pelas histórias de Américo Vespúcio sobre o arquipélago de Fernando de Noronha, descrito como um lugar novo e puro, onde existiria a sociedade perfeita.
    “E pensando em um novo contexto, esta piazada estará na Teix, que está em Curitiba, que está no mundo. É quase que um mapeamento de contexto no qual afirmamos que a arte é capaz de transformar vidas, assim como a cultura pode e deve ser um instrumento de inclusão social”, disse a curadora da mostra, Jô Maciel.
    Segundo ela, a exposição acontece junto com o aniversário de Curitiba de propósito, para mostrar a efervescência de ideias, comportamentos e transformações social, cultural e urbana pela qual uma cidade passa em sua história.
    “Assim como o nosso espaço (Galeria Teix) se modifica e se adapta ao novo a cada dia, o que mantém o grupo Utopia Crew é o elo de amizade entre seus membros. Apesar da coletividade, cada um tem uma expressão individual muito forte. Cada um, a seu modo, quer fazer a diferença social, por isso, eles apresentaão trabalhos individuais. Mas juntos, sob a minha curadoria, farão uma intervenção na galeria”.
    Integram o Utopia Crew e participam da exposição Utopiazada:
    - Célio Beck (26 anos) – usa o graffiti como expressão artística desde os 12 anos. Na Utopiazada fará uma homenagem a Curitiba apresentando alguns lugares e monumentos que são importantes para ele.
    Cleverson Café  (28 anos) – É estudante de teologia, mas já cursou desenho na Faculdade de Belas Artes. Aos 14 anos descobriu que pelo desenho podia criar. Tem um trabalho intuitivo e já participou de várias exposições.
    - Deleon Ribeiro (Dstak, 27 anos) – Aos sete anos, assistindo televisão, teve as primeiras inspirações artísticas. Aos 17 começou com o graffiti e e desde então mantém uma rigorosa estética com os detalhes de suas obras.
    - Hope (24 anos) – Começou no graffiti aos 16 e seus trabalhos têm uma característica tridimensional. Ele vai expor graffiti em telas.
    - João Marcos (19 anos) – Desenhava em todos os cadernos escolares e aos 11 anos encantou-se com o graffiti. A formação acadêmica lhe trouxe um novo olhar para o trabalho. Ele fará em abril, na Galeria Teix, duas oficinas de stencil.
    - Lucas Only (24 anos) – Começou a grafitar em 2003. Vai expor telas com o alfabeto das letras que cria. Também vai grafitar outras telas com coisas que o encantam.
    - Sergio Chaos (25 anos), web designer e desenvolvedor de sistemas, é grafiteiro por hobby desde 2001. Trabalha com foco em letras 2D e 3D e alguns personagens não realistas. Na Utopiazada ele irá expor telas com conteúdo abstrato misto, com conceitos de arte de rua e pinturas nas paredes.
    - Wagner Now (22 anos) – aos sete fez parte da geração MTV e colecionava revistas. Aos 14 se interessou pelo graffiti com a intenção de impactar. Ele vai expor também vídeos e fotos.
     Serviço
    Exposição Utopiazada
    Abertura dia 28 de março às 19h
    Até dia 30 de abril
     Oficinas de stencil
    Dias 3, 4, 10 e 11 de abril
    Das 19h às 21h
    Uma oficina R$50,00
    Duas oficinas R$80,00
    (seis vagas por oficina)
     Galeria Teix
    Vicente Machado, 666
    Batel / Curitiba/ Paraná /

    Terra Planeta Água


    Pelo Dia Mundial da Água



    Imagem http://www.portalecohouse.com.br/

    Planeta Água

    Guilherme Arantes


    Imagem www.maternaescola.com.br 
    Água que nasce na fonte
    Serena do mundo
    E que abre um
    Profundo grotão
    Água que faz inocente
    Riacho e deságua
    Na corrente do ribeirão...
    Águas escuras dos rios
    Que levam
    A fertilidade ao sertão
    Águas que banham aldeias
    E matam a sede da população...
    Águas que caem das pedras
    No véu das cascatas
    Ronco de trovão
    E depois dormem tranqüilas
    No leito dos lagos
    No leito dos lagos...
    Água dos igarapés
    Onde Iara, a mãe d'água
    É misteriosa canção
    Água que o sol evapora
    Pro céu vai embora
    Virar nuvens de algodão...
    Gotas de água da chuva
    Alegre arco-íris
    Sobre a plantação
    Gotas de água da chuva
    Tão tristes, são lágrimas
    Na inundação...
    Águas que movem moinhos
    São as mesmas águas
    Que encharcam o chão
    E sempre voltam humildes
    Pro fundo da terra
    Pro fundo da terra...
    Terra! Planeta Água
    Terra! Planeta Água
    Terra! Planeta Água...
    Água que nasce na fonte
    Serena do mundo
    E que abre um
    Profundo grotão
    Água que faz inocente
    Riacho e deságua
    Na corrente do ribeirão...
    Águas escuras dos rios
    Que levam a fertilidade ao sertão
    Águas que banham aldeias
    E matam a sede da população...
    Águas que movem moinhos
    São as mesmas águas
    Que encharcam o chão
    E sempre voltam humildes
    Pro fundo da terra
    Pro fundo da terra...
    Terra! Planeta Água
    Terra! Planeta Água
    Terra! Planeta Água...(2x)

    21 de março de 2013

    Valêncio Xavier, múltiplo e singular




    Hoje Valêncio Xavier, escritor, cineasta, roteirista e diretor de TV, faria 80 anos. 
    Tive a honra - e porque não dizer, o prazer - de trabalhar com Valêncio Xavier na TV Paranaense (RPC) e garanto: foram ótimos momentos, de aprendizado, mas também momentos muito divertidos porque Valêncio fazia as coisas serem leves e isto era tão difícil naquele ambiente de trabalho... Fiz muitas matérias produzidas por ele, como na aldeia indigena de Mangueirinha, com o cacique Angelo Cretã (um lider indígena que foi assassinado anos depois). Sem contar as sessões de cinema à meia-noite que ele promovia em Curitiba no antigo Cine Condor e que nem eu, nem muita gente, mas muita gente mesmo, não perdia por nada. Meia-noite, cinema de rua e lotado. Não eram só outros tempos, era Valêncio Xavier.


    Valêncio Xavier Niculitcheff (São Paulo21 de março de 1933 – Curitiba5 de dezembro de 2008) foi um escritorcineastaroteirista e diretor de TV brasileiro.


    Paulistano de nascimento, Valêncio mudou-se para a cidade de Curitiba aos 21 anos de idade. Na capital paranaense trabalhou na TV Paranaense (atual RPC TV) e na afiliada da Rede Tupi, a TV Paraná (atual CNT). Neste meio, escreveu dramas e chegou a dirigir episódios do Globo Repórter.

    Valéncio por Bennet
    Atrás das câmaras, agora voltado ao cinema, atuou como diretor, assistente de direção, montador, roteirista e consultor. Dirigiu vídeos como: "O Pão Negro - Um Episódio da Colônia Cecília" de 1993 e "Os 11 de Curitiba, Todos Nós", entre outros. Recebeu o prêmio de "Melhor Filme de Ficção" na IX Jornada Brasileira de Curta-metragem, por "Caro Signore Feline" de 1980.
    Junto com Francisco Alves dos Santos, criou, em 1975, a Cinemateca de Curitiba, ligada à Fundação Cultural. Também exerceu a função de diretor em museus e espaços culturais da capital.
    Nas letras, Valêncio Xavier escreveu narrativas em jornais e revistas, como: Nicolau, Revista USP e o caderno Mais! da Folha de S. Paulo. Foi colunista do jornal Gazeta do Povo de 1995 a 2003.
    Como um dos representantes do movimento de literatura experimental, ganhou boas críticas na imprensa nacional ao escrever livros como:
    - 7 de Amor e Violência (antologia com outros autores) – 1964;
    - Desembrulhando as Balas Zequinha – 1973;
    - Curitiba, de Nós (em parceria com Poty Lazzarotto) – 1975;
    - Maciste no Inferno – 1983;
    - O Minotauro – 1985;
    - O Mistério da Prostituta Japonesa & Mimi-Nashi-Oichi –1986;
    - A Propósito de Figurinhas (em parceria com Poty Lazzarotto) – 1986;
    - Poty, Trilhas e Traços (uma biografia de Poty Lazzarotto) – 1994;
    - Meu 7º dia – 1998;
    - Minha Mãe Morrendo e o Menino Mentido (uma espécie de autobiografia literária) – 2001;
    - Crimes à Moda Antiga – 2004, entre outros.
    Xavier traduziu "Conversa na Sicília" em 2002, de Elio Vittorini, com Maria Helena Arrigucci. Foi o ganhador do Prêmio Jabuti de melhor produção editorial em 1999.
    Algumas de suas obras inspiraram peças de teatros e o livro "O Mez da Grippe" virou filme, dirigido por Beto Carminati.
    Na manhã da sexta-feira, dia 5 de dezembro de 2008 morreu, devido a complicações de uma pneumonia, Valêncio Xavier Niculitcheff, aos 75 anos e 8 meses
    Abaixo trechos de texto de IRINÊO NETTO, DA GAZETA DO POVO.
    "Nenhuma outra experiência de aliar imagem e texto foi tão contundente na literatura brasileira quanto a de Valêncio Xavier. O autor de O Mez da Grippe (1981) e de várias outras histórias morreu às 11h30 da manhã desta sexta-feira (5) devido a complicações ligadas a uma pneumonia. Ele tinha 75 anos e passou 82 dias internado no Hospital São Lucas, mais da metade deles na Unidade de Tratamento Intensivo.
    (...)
    Um escritor de livros que pediam para ser assimilados como filmes, Xavier conheceu o sucesso de crítica e de público no final dos anos 1990, quando teve parte de sua obra publicada pela Companhia das Letras, depois de uma indicação da crítica literária Flora Süssekind. E ganhou projeção nacional ao ser elogiado pelo escritor Décio Pignatari.
    Paulistano que vivia em Curitiba “há 500 anos”, como disse certa vez, Xavier escreveu para a Gazeta do Povo entre 1995 e 2003. Não por acaso, seu primeiro trabalho para o jornal foi um especial sobre os cem anos do cinema.
    “Ele era um pioneiro da narrativa do romance icônico-verbal. Um marginal mais ou menos oficial. Não é uma obra do mainstream da prosa brasileira. O Valêncio vai ser lembrado por essa produção híbrida entre o verbal e o não-verbal. Ele era único. Pensava as coisas de modo diferente”, diz Pignatari, que se tornou amigo do escritor mais de 20 anos atrás, ao descobrir O Mez da Grippe.
    A reedição da Companhia das Letras compilou a novela célebre com outras quatro, incluindo Maciste no Inferno (1983) e O Minotauro (1985), e acabou vencendo o Prêmio Jabuti 1999 de melhor produção editorial.
    Todos os que o conheceram o identificavam como cinéfilo. O escritor e tradutor Boris Schnaiderman afirma que os livros de Xavier devem ser encarados como uma “experiência arrojada de prosa”. “Ele era original, sensível e muito ligado ao cinema. Na obra dele, a imagem e o texto têm um vínculo íntimo. O Mez da Grippe é notável”, diz.
    O tradutor chegou a escrever sobre Xavier para a Revista USP, da Universidade de São Paulo. No estudo, destacou o modo com que o autor trouxe para o livro as vivências que adquiriu em outros meios – sobretudo o cinema e a televisão.
    Embora tenha se tornado uma referência na literatura, cultuado por uma geração mais jovem que a sua – formada por Joca Reiners Terron e Marcelino Freire, entre outros –, Xavier tinha uma paixão fora do comum por filmes.
    Ele realizou vários trabalhos atrás das câmeras, atuando como diretor, assistente de direção, montador, roteirista e consultor. O seu Caro Signore Feline (1980) venceu o prêmio de melhor filme de ficção na 9ª Jornada Brasileira de Curtas-Metragens. Neste ano, seus livros inspiraram peças de teatro – duas montagens feitas pela Pausa Companhia – e filmes – Beto Carminatti e Pedro Merege estrearam no 3º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino o longa-metragem de ficçãoMystérios e finalizam o documentário As Muitas Vidas de Valêncio Xavier.
    Em um texto para o jornal literário Rascunho, de abril de 2001, o escritor José Castello afirmou que Xavier “escreve como um cineasta: recorta, ilumina, acopla, monta. É do contraste, da surpresa, da assimetria, que suas palavras arrancam força. Elementos que se deslocam, que se enfrentam, que saltam uns sobre os outros, que se comem, como num tabuleiro de xadrez. (...) Ele tem uma visão larga, audaciosa, da literatura, que escreve para desafiá-la, que com ela faz o que bem entende – e, agindo assim, exerce como poucos aquilo que há de mais sagrado para um escritor, que é sua liberdade.”
    Na Universidade Federal do Paraná, a professora e pesquisadora Marta Morais da Costa organizou uma disciplina na pós-graduação baseada nos livros de Valêncio Xavier. Em 2004 e 2005, o escritor aceitou convites para ir à sala de aula e debater sua obra com os estudantes. Marta acredita que ele será lembrado como um inventor – citando uma das categorias criadas pelo poeta Ezra Pound –, além de ter sido uma pessoa generosa cuja simplicidade era evidente. “Até para reconhecer a qualidade estética (de sua obra). Como se a literatura fosse um jogo, uma brincadeira”, diz Marta.
    (...)
    Criou a Cinemateca do Museu Guido Viaro em 1975 – que se tornaria a Cinemateca de Curitiba 23 anos mais tarde –, espaço responsável pela formação de vários cineastas paranaenses, identificados como a Geração Cinemateca, da qual fazem parte Carminatti, Fernando Severo e Berenice Mendes".