29 de março de 2013

Artigo de Célio Pezza sobre a Páscoa e suas origens

"A data da comemoração cristã foi definida durante o Concílio de Nicéia, em 325 D.C., como sendo o primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio da Primavera. A Páscoa já existia bem antes de Cristo na tradição judaica e era chamada Pessach".
Deusa da Primavera Ostera, que é simbolizada segurando um ovo na sua mão e observando um coelho ao seu lado (imagem semanadogosto.blogspot.com )

*Por Célio Pezza
Neste dia 31 de abril de 2013 comemora-se a Páscoa em vários países. Aqui no Brasil a Páscoa está associada à ressurreição de Cristo, porém, se prestarmos atenção, veremos que a última ceia de Jesus com seus discípulos foi uma celebração da Páscoa, ou seja, ela já existia bem antes de sua morte e ressurreição. Portanto, estão enganados aqueles que acham que a origem da Páscoa é na ressurreição de Jesus. 
A data da comemoração cristã foi definida durante o Concílio de Nicéia, em 325 D.C., como sendo o primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio da Primavera. A Páscoa já existia bem antes de Cristo na tradição judaica e era chamada Pessach. Nesta data, os judeus comemoravam a fuga do Egito e a Pessach tinha o significado de libertação, ou seja, a passagem da escravidão para a liberdade, comandados por Moisés, conforme mostrado no livro do Êxodo. 
Na tradição judaica a célebre passagem pelo Mar Vermelho, onde as águas se abriram para dar passagem aos israelitas em fuga, passou a ser comemorada como a Páscoa, na primeira noite de lua cheia da Primavera. Na Páscoa judaica existem três elementos principais que são lembrados e passados de geração a geração, durante a ceia pascal: o simbolismo do cordeiro pascal, para lembrar o dia em que Deus feriu a todos os primogênitos egípcios e poupou aos israelitas que tinham marcado suas portas com sangue de cordeiro; os pães ázimos, para lembrar a falta de tempo para fermentar os pães na fuga do Egito; e as ervas amargas, para lembrar as amarguras e os sofrimentos durante o período de escravidão.
Voltando mais um pouco no tempo, vamos encontrar as festas pagãs dos gregos, romanos e celtas, onde era reverenciada a Deusa da Primavera Ostera, que é simbolizada segurando um ovo na sua mão e observando um coelho ao seu lado, sendo que o ovo simboliza o nascimento e o coelho a fertilidade. Esta festa era comemorada no equinócio da Primavera, quando a fertilidade da terra reinicia seu ciclo após o inverno. Ostera simboliza o renascimento da terra e seus rituais estão relacionados à fertilidade. Lembramos que o termo “pagão” vem do termo latino “paganus”, que significa “aquele que vive no campo”.
A Páscoa atualmente passou a ser mais uma festa comercial que intensifica o turismo devido aos feriados e o consumo de peixes e chocolates. Suas verdadeiras origens estão mais perdidas a cada ano que passa, mas existem muitos que veem nesta data a comemoração do impulso do ser humano para uma condição nova e cheia de esperanças, apesar de desconhecida. Uma verdadeira celebração da passagem do ser humano para outra realidade com muito mais conhecimento, paz e respeito pela vida. 


*Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Nova Terra - Recomeço. Saiba mais em www.celiopezza.com / Blog: http://celiopezza.com/wordpress/

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