14 de março de 2013

Em Alagoas, mostra de fotografia de Ricardo Silva, aquele nos revelou o jardim encantado de dona Zefa


"Suas fotos têm a força da pedra e a delicadeza da natureza. Ele domina e é dominado pelo simples e absurdo das formas e cores. E nos leva junto como se quisesse dizer que existe, sim – e é belo". (Zé Beto, jornalista e irmão)


Foto e cartaz da primeira exposição do fotógrafo Ricardo Silva que será inaugurada hoje em Palmeira dos Índios, Alagoas

Texto de Zé Beto (Jornale)


"Ricardo Silva é pedra bruta iluminada por dentro. Ele consegue falar com todos através do olhar. Existe uma máquina entre o interior e o exterior. É o caminho que encontrou para dizer quem é. Suas fotos têm a força da pedra e a delicadeza da natureza. Ele domina e é dominado pelo simples e absurdo das formas e cores. E nos leva junto como se quisesse dizer que existe, sim – e é belo. Ricardo Silva estava pronto quando ganhou sua primeira câmera há pouco menos de quatro anos. Ele sempre observou. Antes, desenhou, porque também domina a arte, quadrinista underground dos tempos da Sampa alucinada. Foi embora para a origem de tudo, Palmeira dos Índios, Alagoas, e não embotou a alma no emprego que o faz vestir uma farda quase todo dia. Completou meio século de vida e séculos de sabedoria, mesmo porque sobrevivente do terror causado pelo álcool. Quando ficou sozinho naquela casa de uma rua cujo nome é poema, Bom Jesus dos Passos, viu que era seco como seu pai Zé Luis e amor puro como a mãe, cujo quintal cuida, recebe os bichos do sertão rega as plantas e fotografa tudo, transformando um espaço minúsculo num universo que encanta e aqui foi batizado com o nome dela, dona Zefa. A todos emociona – e a mim, que sou sangue do seu sangue, meu único irmão me dá esta felicidade indescritível de ser um grande artista".

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