24 de junho de 2013

De Paraty, o intérprete da figura humana Aecio Sarti "conta", com arte, a vida da cidade que habita

Pintor sai de Paraty para sensibilizar públicos do Brasil e do exterior


“Podemos dizer que Aecio Sarti, com suas máscaras e duplos, estampados em figuras humanas alargadas e de forte valor cromático, leva-nos à possibilidade lúdica de ser outro. Um silêncio que se coloca entre o rosto e a máscara, entre o sujeito e seu duplo. Um silêncio pleno de ruído que vem articular a força do desejo”,  Daysy Justus.
A lona encerada, trabalhada com a pintura espatulada, dá suporte a seus desenhos em carvão, fixados com verniz naval. O contraste da rudeza da lona reutilizada ajuda seus coloridos e suaves personagens a se expressarem
Da pequena e romântica, mas não menos universal Paraty, a arte de um pintor, apaixonado pela pureza e riqueza intocadas da alma humana, espalha-se aos poucos pelo Brasil e pelo mundo. As obras do sergipano Aecio Sarti encantam colecionadores, intelectuais e românticos justamente, porque retratam a cultura e a tradição locais, contrapondo-se ao forte movimento de valores efêmeros e superficiais da modernidade globalizada.




Grande intérprete da figura humana, Aecio construiu uma linguagem própria de retratos em primeiro plano com linhas alongadas. “Procuro sempre falar das pessoas que pinto”, diz. A maturidade de sua linguagem e a poética de sua pintura inscrevem-se na procura das raízes mais profundas da brasilidade. Num comovente e apaixonado interesse pelos costumes e fragmentos do cotidiano popular, ele tem como maior inspiração suas histórias de vida e história de pessoas que encontra pelo caminho.








Mesmo não intencional, os quadros de Aecio tem uma forte carga psicológica bem definida pela escritora e psicanalista Daysy Justus: “Podemos dizer que Aecio Sarti, com suas máscaras e duplos, estampados em figuras humanas alargadas e de forte valor cromático, leva-nos à possibilidade lúdica de ser outro. Um silêncio que se coloca entre o rosto e a máscara, entre o sujeito e seu duplo. Um silêncio pleno de ruído que vem articular a força do desejo”.
Sua peculiaridade não está apenas na temática da arte popular, da religiosidade, da natureza e da contemplação que o acalmam, mas na técnica que utiliza para retratar seus anjos, rainhas e heróis anônimos. Aecio Sarti reaproveita lonas usadas, que não pedem um fundo branco como uma tela comum.  A lona encerada, quando trabalhada com a pintura espatulada, dá suporte a seus desenhos em carvão, fixados com verniz naval. O contraste da rudeza da lona reutilizada ajuda seus coloridos e suaves personagens a se expressarem. “Por ser usada, a lona já tem vida. Procuro manter muito das marcas da história do encerado”, explica o artista.
“As pinturas de Aecio são feitas a partir da reutilização de material bem conhecido - a lona que cobre os caminhões de carga. Ao criar figuras humanas na própria tessitura da lona, que oferece rico processo de reaproveitamento, o artista se vale da memória material que o encerado carrega em sua função protetora”, complementa Daysy Justus
Acessando o link ao lado: Catálogo do artista 

Nenhum comentário:

Postar um comentário