1 de setembro de 2014

Adeus ao arquiteto e designer Sérgio Rodrigues, criador da poltrona "Mole"

 Sergio Rodrigues morreu na manhã desta segunda-feira (1º), aos 86 anos. A morte foi em casa, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, por insuficiência hepática. 

Sergio Rodrigues é reconhecido internacionalmente por móveis como a poltrona "Mole", de 1957, exposta no Museu de Arte Moderna de Nova York.  A poltrona, feita de jacarandá e de couro, venceu em 1961 o Concurso Internacional do Móvel de Cantù, na Itália, dando início à fama internacional do designer e arquiteto.

Ele será cremado no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na quarta-feira (2). Ele deixa mulher, três filhos, além de netos e bisnetos.

Textos do site http://www.sergiorodrigues.com.br/



"Sergio Rodrigues é esta figura iluminada de personalidade marcante, que soube transformar suas inquietações numa obra coerente e reveladora da cultura brasileira. Sergio é, sem dúvida alguma, uma das mais admiráveis expressões do design em nosso país. O traço coerente e único inscreveu seu nome na história do design do século 20, sobretudo pela criação de uma grande variedade de produtos, dos quais o mais famoso é a Poltrona Mole. 


Ao lado de mestres como Joaquim Tenreiro e José Zanine Caldas, Sergio vem tornando o design brasileiro conhecido internacionalmente. Enquanto Tenreiro, com seus móveis sóbrios, foi o precursor na busca de um novo estilo, Zanine arrancou da madeira todo seu potencial expressivo e Sergio Rodrigues desenvolveu uma ampla experiência de produção, procurando pensar o Brasil pelo design. Ele transformou totalmente a linguagem do móvel, foi generoso no traço e no emprego das madeiras nativas e, como bem afirmou Lucio Costa, com a criação da Oca integrou a ambientação de interior no movimento de renovação de nossa arquitetura.



A produção brasileira nesse setor (mobiliário), em meados dos anos 50, ainda estava muito presa aos estilos, e a sua renovação exigiria duas batalhas. Sergio sabia que a única arma de que dispunha era o desenho e foi aí que enveredou. 



Inicialmente, como arquiteto, trabalhou ao lado de David Azambuja, Flávio Regis do Nascimento e Olavo Redig de Campos no projeto do Centro Cívico de Curitiba, obra importante no quadro da arquitetura moderna brasileira. Mas, conhecendo com firmeza seus interesses e trilhando por um caminho percorrido por outros grandes arquitetos como João Batista Vilanova Artigas, Oscar Niemeyer, Oswaldo Bratke e Paulo Mendes da Rocha ,Sergio saltou da arquitetura para o design do móvel. 



Além disso, ele estava absolutamente convicto de que a arquitetura em que o planejamento do espaço interno não fosse estudado adequadamente não era arquitetura, era escultura.



Para Lucio Costa, em algumas peças Sergio Rodrigues conseguiu resgatar o espírito da mobília tradicional e também aspectos do Brasil indígena. De fato, nesse momento ele fez coexistir o Brasil-brasileiro com o Brasil-de-Ipanema, cantada mais tarde (1962) por Tom Jobim e Vinicius de Morais na célebre Garota de Ipanema, e com o Brasil da industrialização paulista, afinal a Oca era representante de modelos selecionados das principais fábricas de São Paulo.Daí porque o nome Oca: um retorno as fontes indígenas, o gosto pelos materiais tradicionais. Sergio lançou-se numa busca permanente de projetos, métodos e materiais para atender adequadamente as necessidades do usuário, alheio a modismos e estilos. Segundo Oscar Niemeyer:Naquela época (início de Brasília) não se tinha tempo de pensar em desenhar móvel nenhum. Nós usamos móveis correntes no mercado, selecionando como o Palácio exigia. O principal designer a quem solicitei móveis foi Sergio Rodrigues.Concomitantemente às atividades no setor de mobiliário é fundamental destacar a atuação de Sergio no planejamento de interiores, na ambientação, na cenografia e na decoração. No âmbito dos interiores, colaborou com os mais importantes arquitetos brasileiros e, em sua própria loja - A Oca - prestou várias consultoria no país e no exterior legitimando o interior design no Brasil. 



A aproximação de desenho do móvel moderno com certos objetos da cultura brasileira, e a não preocupação com modismos, acentuam o espírito de brasilidade que tanto busca Sergio Rodrigues. Esses dois fatos foram preponderantes da decisão do júri da IV Bienal do Móvel, Cantu, Itália 1961, premiado com a Poltrona Sheriff entre 400 candidatos de 35 países.



Textos extraídos do livro Sergio Rodrigues da Maria Cecília Loschiavo Filósofa, pesquisadora de mobiliário brasileiro e docente na FAUSP 



Exposições


2011 - ESPASSO SERGIO RODRIGUES - New York
2010 - Sergio Rodrigues: Um Designer dos Trópicos - Rio de Janeiro, Brasil
2009 - Brazil Influence - Bruxelas, Bélgica.
2008 - Brasil Casa Design - Buenos Aires, Argentina.
2008 - Bienal Iberoamericana de Diseño - Madri,Espanha
2008 - Time e Place: Rio de Janeiro 1956/1964 - Moderna Musset - Estocolmo -Suécia
2005 - Expo na 25th Century - Nova York
2000 - Lançamento do livro: Sergio Rodrigues
1998 - Mostra Internacional do Design - Método e Industrialismo - CCBB - Rio de Janeiro
1998 - Bienal de Arquitetura
1997 - 40 anos de Mole- Expo no Rio Design Leblon - Rio de Janeiro.
1993 - Mostra Brasille93 - La Construzione Di Una Identità Culturale Universidade de Brescia- Italia
1992 - Saudades do Brasil: A Era JK - Exposição Itinerante
1991 - Falando de Cadeira- Museu de Arte Moderna - Rio de Janeiro
1987 - Premio Lapiz d e Plata - Buenos Aires
1984 - Cadeira: Evolução e Design - Museu da Casa Brasileira-SP
1984 - Tradição e Ruptura: Desenho Industrial
1982 - O Design no Brasil: História e Realidade- SESC/SP



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